Cotidiano
Je me sens libre comme une bulle de champagne / Libre d'escalader les montagnes Moi j'ai mon visa pour les folies / J'ai mon passeport couleur de la vie (Visa pour les beaux jours, Eddy Marnay) Amanhece. As cortinas filtram uma luz tênue que avisa o final da noite. Acordo. O corpo diz NÃO!, a razão responde É hora! Se pudesse dormir mais meia horinha... mas é preciso levantar. O dia começa e o chuveiro tira as últimas lembranças da noite. Aí tudo engrena e a vontade de dormir fica esquecida por muitas horas. Às vezes dou uma paradinha para pensar na vida e acho que todos os dias se arrastam iguais, é trabalho, trabalho, cansaço, vontade de tanta coisa que ficou para trás, saudade de tantas pessoas que ficaram por aí... a vida é só trabalhar e pagar contas. Mas fica muito chato viver se pensar assim. Então busco inspiração para ver o que tem de diferente nos dias: quando a brisa se torna vento, e o vento tempestade. Olho se o mar está verde (sol!) ou cinza (lá vem chuva). Preciso sair para comprar qualquer coisinha mais insignificante (por exemplo, material de limpeza). Mas aí dou o up grade do dia: me arrumo, saio, atravesso a avenida e vou pelo calçadão da praia até o mais perto possível do meu ponto de chegada, sentindo a beleza do mar, vendo as pessoas caminhando, outras aproveitando a praia durante a semana – que inveja - (só pode ser turista, não dá para ir à praia todo dia e trabalhar)... Na volta aproveito para uma casquinha de sorvete, e pronto: já dei um agradável passeio inesperado – o dia já foi diferente... Uma obrigação se transformou num prazer. Tantas coisinhas simples podem ser feitas para enfeitar o dia... na pausa do almoço ouço – de novo – TUA, cd da Maria Bethânia, maravilhoso, repertório especial, voz inigualável... e outras cores entram no meu mundo. Tédio? Nunca, que isso é coisa de quem não tem o que fazer. (ainda não comentei o caso da Geyse, aluna da Uniban, que mais parecia talibã, mas está na pauta, o tempo anda meio curto...)
Escrito por Alice às 05h56
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Mortes anunciadas
O próprio viver é morrer, porque não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela. (Fernando Pessoa) Há matéria, na Folha de hoje, sobre o suicídio. Além do choque para as pessoas que convivem com o suicida e ficam estarrecidas com aquela morte, ainda há o invencível e inevitável sentimento de ter falhado. Falhado porque não percebeu o desespero daquela alma, falhado por não ter tirado a cortina negra que escurecia os pensamentos do suicida, falhado por não ter evitado o gesto. Mas ninguém poderia evitar o suicídio em si. Depois que a decisão de morrer é tomada, dificilmente alguém poderá evitar esse ato. Talvez se possa ajudar a evitar a idéia, antes que ela surja ou logo que isso aconteça. Mas não é fácel entrar na alma de alguém e saber o que pensa na verdade outra pessoa. Convivi com alguns suicidas, chorei suas mortes e sei que ninguém tem culpa do ocorrido. Mas é difícil, muito difícil, conviver com a sensação que poderíamos ter feito alguma coisa e nada fizemos. Inevitável sentirmo-nos assim. E o que é o suicídio? Um gesto de coragem ou covardia? Um gesto de desespero ou esperança em algo melhor? Alguns casos podem-se entender, pessoas que estão acometidas de moléstias terríveis, sem qualquer chance ou esperança de cura, sofrendo no corpo as dificuldades da doença e na alma a falta de motivo para continuar vivo... até se entende, embora a religião nos ensine que a morte pertence ao Pai e somente ele poderá tirar-nos a vida. Mas outros casos, a jovem que perdeu o ano na faculdade, a mulher madura e centrada que se aposentou e não mais se sentiu viva, o amigo que se viu envolvido em um processo judicial quase kafkaniano... E assim eles foram ficando pelo caminho, enquanto outros enfrentaram as mesmas situações – doenças, velhice, processos, divórcios, perdas de filhos e continuaram vivos dando testemunho de uma fé inabalável na vida e no sentimento que não há caminho predeterminado, que fazemos nosso caminho ao caminhar. Quando penso nesses assuntos lembro-me de palavras do Padre Zé Mário (quanta saudade desde que ele foi pastorear em outros países e quase não vem ao Brasil): Deus deu a vida – e não a morte – ao homem. Então devemos cuidar da nossa vida com muito carinho e desvelo, porque teremos que prestar contas deste dom ao Criador. Mas Deus guardou para si a morte, não a deu ao homem. Por isso devemos viver sem pensar na morte, sabendo que é inevitável e virá para todos, mas não é problema nosso. Na hora certa Deus cuidará de tudo. Não devemos ignorar que a morte existe, mas não devemos buscá-la nem desejá-la. E assim Padre Zé Mário me deu uma lição para toda a vida, mas que torna difícil entender a razão dos suicidas.
Escrito por Alice às 10h13
[]
[envie esta mensagem]
[link]
A guerra e o Nobel da Paz
Aqueles que tombam pela Pátria não morrem, mas se fundem a ela eternamente. (General Osório)

Olho essa imagem – tristíssima - dos soldados trazendo o corpo do colega morto. Vejo em outra foto de hoje a imagem do presidente norte-americano diante do cortejo do retorno de outros soldados mortos nessa guerra insana. E penso porque o presidente dos EUA acaba de ganhar o Prêmio Nobel da Paz mesmo estando em guerra com dois países. Não entendo se o prêmio foi desmoralizado ou se é a própria guerra que está desmoralizada. Matar está tão banal, declarar guerra é tão comum, que não impede o Nobel da Paz ao presidente de uma nação em guerra... Recordo o filme O Retorno de um Herói.
O drama de um oficial que, pela culpa de não ter ido para a frente de batalha, resolve se penitenciar acompanhando o corpo de um jovem soldado que morreu na longíqua guerra, do momento que o exército o prepara até ser finalmente entregue à própria família para ser enterrado. Filme de rara poesia, impossível não se envolver e sofrer também. O respeito com que o corpo é tratado pelos encarregados de prepará-lo. A forma como é carregado para os veículos, as cerimônias de passagem – tudo tocante, emocionante. E finalmente a dor da família ao receber morto o filho que emprestaram – vivo – à pátria. Para que? Para ir lutar numa guerra que não era dele, talvez nem soubesse direito para onde e para que estava indo. E não voltou. Ou melhor, voltou, mas seus olhos nada viram. Não viu o carinho com que seu corpo foi manipulado, a emoção que tomou conta de todos os compatriotas que em algum momento estiveram junto na sua última viagem, o drama do oficial que o acompanhou nem os olhos vazios de sua mãe ao receber o caixão. Vem como um presente – um filho – o corpo de um filho – em uma grande caixa, com bandeira nacional, toque de silêncio, cortejo militar. Mas é um presente às avessas, porque, na verdade, nada está sendo dado – nem mesmo estão devolvendo o filho emprestado, mas sim enterrando o sonho de uma vida.
Até quando, me pergunto, até quando os homens continuarão a declarar guerra para mandar os filhos alheios morrerem. O homem nao evoluiu tanto quanto pensa. Apenas mudou as armas: não joga mais pedras, nao usa mais clavas, mas poderosas e mortíferas armas desenvolvidas por cientistas. E hoje a guerra é mostrada em tempo real via TV para o mundo todo ao vivo e em cores. Entra em nossa casa, faz parte do espetáculo televisivo. Mas, no íntimo, no cérebro, realmente, o homem ainda está na idade da pedra - a prova é esse Prêmio Nobel da Paz para quem está em guerra...
Escrito por Alice às 23h33
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Ainda tomaremos um café...
Hoje é DOMINGO!!!!!!!!!! dia de praia, preguiça, e mesmo assim tenho que terminar um serviço longo... então não crio nem pio: copio! Recebi de meu sobrinho Eduardo, achei interessante e passo a você, com o convite: venha tomar um café comigo...
O QUE REALMENTE IMPORTA NA VIDA
Um professor universitário, diante de sua classe de filosofia, sem dizer uma só palavra pegou um pote de vidro, grande e vazio, e começou a enchê-lo com bolas de golf.
Em seguida, perguntou aos seus alunos se o frasco estava cheio e imedia-tamente, todos disseram que sim. O professor então, pegou uma caixa de bolas de gude e a esvaziou dentro do pote. As bolas de gude encheram todos os vazios entre as bolas de golf.
O professor voltou a perguntar se o frasco estava cheio e voltou a ouvir de seus alunos que sim. "Quero que entendam que o pote de vidro representa nossas vidas. As bolas de golf são os elementos mais importantes, como Deus, a família e os ami- gos. São com as quais nossas vidas estariam cheias e repletas de felicidade. As bolas de gude são as outras coisas que importam: o trabalho, a casa bonita, o carro novo, etc. A areia representa todos as pequenas coisas. Mas se tivés-semos colocado a areia em primeiro lugar no frasco, não haveria espaço para as bolas de golf e para as de gude.
O mesmo ocorre em nossas vidas. Se gastamos todo nosso tempo e energia com as pequenas coisas nunca teremos lugar para as coisas realmente impor-tantes. Prestem atenção nas coisas que são primordiais para a sua felicidade. Brinquem com seus filhos, saiam para se divertir com a família e com os ami- gos, dediquem um pouco de tempo a vocês mesmos, busquem a Deus e creiam nele, busquem o conhecimento, estudem, pratiquem seu esporte favorito... Sempre haverá tempo para as outras coisas, mas ocupem-se das bolas de golf em primeiro lugar. O resto é apenas areia."
O professor respondeu: " que bom que me fizestes esta pergunta, pois o café serve apenas para demonstrar que não importa quão ocupada esteja nossa vida, sempre haverá lugar para tomar um café com um amigo."
Um aluno se levantou e perguntou o que representava o café. Em seguida, pegou uma caixa de areia e a esvaziou dentro do pote. A areia preencheu os espaços vazios que ainda restavam e ele perguntou novamente aos alunos, que responderam que o pote agora estava cheio.
O professor pegou um copo de café (líquido) e o derramou sobre o pote ume-decendo a areia.
Os estudantes riam da situação, quando o professor falou:
"Quero que entendam que o pote de vidro representa nossas vidas. As bolas de golf são os elementos mais importantes, como Deus, a família e os amigos. São com as quais nossas vidas estariam cheias e repletas de felicidade. As bolas de gude são as outras coisas que importam: o trabalho, a casa bonita, o carro novo, etc. A areia representa todos as pequenas coisas. Mas se tivéssemos colocado a areia em primeiro lugar no frasco, não haveria espaço para as bolas de golf e para as de gude. O mesmo ocorre em nossas vidas. Se gastamos todo nosso tempo e energia com as pequenas coisas nunca teremos lugar para as coisas realmente importantes. Prestem atenção nas coisas que são primordiais para a sua felicidade. Brinquem com seus filhos, saiam para se divertir com a família e com os amigos, dediquem um pouco de tempo a vocês mesmos, busquem a Deus e creiam nele, busquem o conhecimento, estudem, pratiquem seu esporte favorito, ......... Sempre haverá tempo para as outras coisas, mas ocupem-se das bolas de golf em primeiro lugar. O resto é apenas areia." Um aluno se levantou e perguntou o que representava o café.
O professor respondeu: " que bom que me fizestes esta pergunta, pois o café serve apenas para demonstrar que não importa quão ocupada esteja nossa vida, sempre haverá lugar para tomar um café com um amigo." 
Escrito por Alice às 14h41
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Vou sorrindo
Nós não sorrimos porque somos felizes, nós somos felizes porque sorrimos. (William James) Posso estar enganada, mas acredito que só o ser humano ri. Nenhum outro animal tem esse recurso. Há pessoas que riem sempre, e outras que nunca riem nem sorriem. Alguns só riem quando estão nervosos, aquele risinho entre o pavor e o sarcasmo, geralmente irritante. Quando o bebê começa a reconhecer as pessoas e ambientes e consegue sorrir (não aquele esgar que só a mãe e a avó acreditam que seja um sorriso) mostra o quanto é instintivo sorrir para o ser humano. E também que não há qualquer dúvida que o riso vem diretamente do prazer. Na hora da dor, do desespero, na triste hora do adeus é impossível rir ou sorrir. Mas só. Nas demais horas o riso é essencial. Se formos capazes de darmos uma boa risada nas horas de aflição e aborrecimento, acho que a vida seria bem mais leve. Eu, por exemplo, vivo rindo. Vejo sempre um lado engraçado nas pessoas, nas coisas, nos acontecimentos, tento olhar com olhos de sorriso para tudo. Acho que vou morrer rindo. Nem que seja de mim própria. Por exemplo – você está com muita pressa, atrasado, e derrama um copinho de café na camisa. Em lugar de xingar, praguejar, experimente dar uma risada de sua própria ação e verá que basta trocar de camisa e seguir – dois ou três minutos não são a diferença – você já estava atrasado mesmo. Ou numa briga – por qualquer motivo, besta ou não, começa uma discussão com a mulher, ou o marido, ou o irmão etc. Na hora de respirar, quando tiver que se calar por um momento para não morrer de falta de ar, aproveite e dê um sorriso. Aberto, sincero, acolhedor, sem ironia. Verá que o outro responderá com um sorriso. E ambos pensarão: para que discutir, podemos resolver isso calmamente através de uma conversa adulta. Se você cai ou chuta – descalço – o pé da cama. Não grite nem fique sob tensão – solte os músculos – primeiro da face, com uma boa risada. E o corpo ficará leve, nem sentirá dor. Mas tem que rir de verdade. E, principalmente, quando tiver mais pessoas em volta, tente rir, sinceramente, do que os outros falam, integre-se na alegria e a promova, e num instante todos estarão rindo também. Mais importante, ainda, é aprender a rir de si mesmo. Se você for capaz de rir de si mesmo, em toda e qualquer situação, rindo escancarado ou só por dentro, será uma pessoa feliz, porque o que todo mundo gosta mesmo é de ver os outros travados, emburrados, sofrendo. Nada mais incomoda a maioria das pessoas do que ver alguém leve, sorridente, de bem com a vida. Sorri quando a dor te torturar E a saudade atormentar Os teus dias tristonhos vazios
Sorri quando tudo terminar Quando nada mais restar Do teu sonho encantador
Sorri quando o sol perder a luz E sentires uma cruz Nos teus ombros cansados doridos
Sorri vai mentindo a sua dor E ao notar que tu sorris Todo mundo irá supor Que és feliz. (Charles Chaplin)
Escrito por Alice às 19h03
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Brindando comigo
Atingimos hoje 2.000 visitas - obrigada a todos, vamos fazer um brinde, et voilà: 
saúde 
prosit
salud proost cin cin skäl santé
Escrito por Alice às 19h27
[]
[envie esta mensagem]
[link]
De homens e serpentes
Então o Senhor Deus disse à serpente: “Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais e feras dos campos: - andarás de rastos sobre o teu ventre e comerás o pó todos os dias de tua vida. Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá na cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”. (Livro do Gênesis, 2.3 – 14)

A humanidade está se embestando de uma forma que não terá volta. Não consegue estabelecer relação com outro ser então se envolve com animais, que não questionam suas manias, suas idiotices, não exigem troca, contentam-se em dar. Começou pelos cachorros, e (quase) todo mundo tem um cachorro. Eram cachorrinhos, mas hoje nos apartamentos já temos pit bull, labrador e outros cães de grande porte. Pobres animais, aos quais é negada sua própria natureza: viver livre, pisar e dormir sobre a terra, dormir durante o dia e permanecer alerta durante a noite. Também já vemos casos de câncer de pulmão em cães em razão do cigarro dos donos. Câncer de fígado pela comida gordurosa e assim por diante... Conheço uma mulher que carrega seu cãozinho para todo lado, no colo. Quando nasceu o primeiro bebê ela continuou carregando ridiculamente seu cão enquanto a babá seguia com o nenê... Devia ter parido um cachorrinho, talvez se sentisse mais mãe. E iguanas, que ao crescerem mais que o previsto começaram a ser soltas nas cidades, comenta-se que nas imediações de Alphaville há muitas iguanas nas beiras do rio Parnaíba, soltas por seus donos que se cansaram dos bichinhos (algumas são uns bichões, crescem assustadoramente e aquela “coisa” nas costas dá-lhes um ar de pré-históricas). Os ratinhos brancos, que, no fundo não passam de ratos mesmo... E, dentre outros bichos, o homem – este animal indigno – passou a criar serpentes em suas residências. A incompatibilidade entre o homem e a serpente é bíblica, faz parte da maldição do ser humano. E na hora que as cobras se tornam incômodas, simplesmente as soltam... http://noticias.uol.com.br/bbc/):
Impressionante a notícia 'Invasão' de cobras gigantes ameaça fauna dos EUA, diz instituto (conferir no endereço
O instituto geológico americano US Geological Survey (USGS) está alertando para uma "invasão" de cobras gigantes que ameaça a fauna nativa do país. Um relatório do USGS divulgado esta semana afirma que algumas regiões americanas - como o sul da Flórida - estão sendo invadidas por dezenas de milhares de pítons não nativas, que são uma séria ameaça à fauna americana. O documento de 300 páginas afirma que nove espécies de cobras são a principal ameaça à região. Segundo os cientistas, os pássaros, mamíferos e répteis dos Everglades - a região pantanosa da Flórida - nunca tiveram de enfrentar predadores tão grandes antes. Algumas delas têm seis metros de comprimento e pesam até 90 quilos. ......................................... As espécies píton burmesa e jibóia constritora já povoaram parte do sul da Flórida. A jibóia africana também estaria formando uma grande população na região. Especialistas afirmam que muitas das cobras gigantes não-nativas foram jogadas na região dos Everglades pelos próprios donos dos animais, que às criavam como animais de estimação. Algumas foram jogadas porque ficaram grandes demais para serem criadas pelos donos. Outras teriam escapado das suas jaulas durante o furacão Andrew, de 1992. Os pântanos úmidos do Everglades são ideais para a proliferação de cobras grandes, que podem colocar até 100 ovos de uma só vez. .............................................
O relatório diz que as cobras, além de perigosas para os demais animais, são uma ameaça também para as pessoas, apesar de ressaltar que isso é mais raro. A maior parte das vítimas das cobras são pessoas que criam os animais em casa.
Além da Flórida, outros ecossistemas em outros Estados americanos, como o Texas, também estariam sob ameaça. Já houve casos de estas serpentes dos Everglades matarem uma criança e um animal doméstico. Não há dúvida, portanto, do quanto o homem vem se abestalhando ao longo da história.
Escrito por Alice às 14h37
[]
[envie esta mensagem]
[link]
El tiempo pasa
Com as lágrimas do tempo e a cal do meu dia eu fiz o cimento da minha poesia. (Vinicius de Moraes)
Conforme o tempo passa nossas vontades, nossos gostos vão se alterando. Coisas importantes, cuja falta seria fatal, já não importam. Pessoas sem as quais não viveríamos se desfazem na fumaça do esquecimento. Outras prioridades vêm e tomam conta do pensamento, do desejo e da necessidade. Acho que isso é amadurecimento – ou envelhecer mesmo. Por exemplo, coca-cola. Fazia parte da dieta, da rotina, de tudo. Agora passo meses sem um copo de coca-cola e descobri que não morri por isso, embora imaginasse, antigamente, que não sobreviveria sem ela. Outra coisa é viajar. Sempre adorei viajar. Sempre estive pronta para pegar a mala (malinha, que não gosto de carregar a casa quando saio) e ir. Ia para todo lado. Sozinha, acompanhada, com todo mundo, com alguém... Mas ia. Pegava o carro e cortava estrada para qualquer lado que me atraísse. Era um prazer dirigir, viajar sozinha. Hoje pago para não chegar perto de um volante (confesso que metade do problema são esses indecentes motoqueiros – cabriteiros, porque aquelas maquininhas estão mais para cabritas do que para motos). Se posso vou de táxi em todo lugar só para não tirar o carro da garagem. Dirigir hoje em sampa para mim é castigo. Também avião. Avião era sapato, usava para me deslocar sem qualquer problema. Agora estou acomodada – ou preguiçosa... Só de pensar em aeroporto me dá arrepio. Tenho uma vontade etérea de ir a Paris. Um desejo constante de estar lá. Mas não tenho a menor vontade de ir até Paris. Não consigo mais me imaginar dando plantão no aeroporto, enfrentando a falta de educação da maioria das pessoas no interior do avião. A neura dos policiais aeroportuários, a esteira da bagagem. Iria, feliz, se pudesse ser teletransportada. Será que isso é envelhecer?
Escrito por Alice às 08h14
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Promenade
Hoje o tempo está curto - então não escrevo - partilho uma linda paisagem que convida a um passeio...

Escrito por Alice às 11h23
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Uma simples coisa
Que l’importance soit dans ton regard, non dans la chose regardée. (André Gide) Na alucinante correria de todas as manhãs não teve tempo para verificar porque se sentia tão estranha. Levantou-se num salto, trocou-se sem tempo de se olhar no espelho, arrumou a mesa correndo enquanto pilotava o fogão preparando a preferência de cada membro da família. Não que alguém fosse perceber tudo isso, mas se algo faltasse seria notado de imediato. Enquanto tudo funcionava como sempre foi e como achava que sempre devia ser, ninguém a notava nem a incomodava também.
Realmente só era notada pelo não fazer, pelo mal funcionamento, nunca pelo fazer, pelo proporcionar à família. Só se dirigiam a ela para cobrar: - cadê minha bolsa / meus óculos / minhas chaves? ou - você NÃO comprou meus cereais / NÃO lavou meu tênis / NÃO passou minha camisa?... Fora, ela própria, de há muito coisificada no relacionamento familiar, mas já não se importava, doera intenso, mas hoje pouco incomodava. Mas nessa manhã, em especial, continuava a se sentir de forma estranha. Era como se ninguém a enxergasse. Tentou ir até a janela. Não conseguiu sair do lugar. Estava presa ao batente. Duas ou três dobradiças a prendiam. O Filho tentou passar e se sentiu ameaçado por sua posição, violentamente empurrou-a com o pé. - o que foi, perguntou o Pai. - essa droga dessa porta que nem abre nem fecha, fica no meio do meu caminho, até parece minha mãe..., respondeu o Filho. - acerte-lhe um bom chute que ela logo encontra seu lugar, disse o Pai. Quis chorar, mas não conseguiu, ao descobrir que amanhecera transformada em uma porta, porque portas abrem e fecham, não choram...
Escrito por Alice às 22h39
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Vozes da natureza
É triste pensar que a natureza fala e que o gênero humano não a ouve. (Victor Hugo)
 Amanhece. Por instantes o sol tenta aparecer, mas sua vontade é logo vencida pelo vento que trás as nuvens que o encobrem definitivamente. Teremos mais um dia sombrio. Desde a segunda quinzena de maio dá para contar nos dedos de uma das mãos os dias realmente ensolarados que tivemos aqui. Quanto aos dias inteiramente de chuva já perdemos as contas. A natureza está triste. O sorriso do sol desapareceu. E isso tira o ânimo do habitante dos trópicos, acostumado a calor, muito sol, muita luminosidade. Parece que o cinza do céu, que se projeta no mar e o acinzenta também, atinge nossa alma e a torna sombria. O vento, por momentos invencíveis, impossível de se caminhar ao ar livre – e não estou me referindo a caminhada por diletantismo, mas por necessidade – ir ao supermercado, à panificadora etc. – o que torna as tarefas mais complicadas. Novamente o mundo assistiu a tsunami, maremoto, terremoto, tufão, tornado, e tudo que a natureza tem disponível para mostrar sua força superior ao homem. E, como conseqüência, milhares de mortos, desabrigados, desfamiliados e doentes e famintos. Será que desta vez o homem conseguiu entender alguma coisa da mensagem que recebeu? Ou continuará – surdamente – tentando ser mais que a natureza?
Escrito por Alice às 08h18
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Adios Mercedes
Cuando la belleza pase / Sera bella tu mirada Sera bella tu sonrisa / Y las noches seran claras (Mercedes Sosa)
Mercedes se fué. A voz que embalou protestos, marchas e romances nos anos 70 calou-se. Como mais um símbolo de um tempo de transformações que se vai para sempre. E deixa o mundo cada dia mais pobre e o povo cada dia mais órfão. Morre Mercedes Sosa e mais uma janela de minha adolescência se fecha para sempre. Voz emblemática, carinhosa, forte, melodiosa e determinada. Canções de cunho político, sem agressividade. Como no acalanto de Duerme Negrito, quando diz Duerme, duerme, negrito / Que tu mama está en el campo, negrito Duerme, duerme, mobila / Que tu mama está en el campo, mobila ... Y si el negro no se duerme / Viene el diablo blanco Y zas le come la patita ........................... Duerme, duerme, negrito / Que tu mama está en el campo Negrito, negrito, negrito. A beleza plangente da canção A que florezca mi pueblo: Quiero cantarle a mi tierra / Y que florezca Dentro del clima mi pueblo / Y su primavera Inaugurar mil palomas de pan / Y que no mueran A desesperada luta pela liberdade e pela dignidade de Hermano Dame Tu Mano: Hermano dame tu mano vamos juntos a buscar / una cosa pequeñita que se llama libertad esta es la hora primera este es el justo lugar / abre la puerta que afuera la tierra no aguanta más E tantas outras, que não me canso de ouvir, na voz grave e inigualável, de uma força interior esplêndida, canções que ela própria compunha, canções de outros compositores. Mas, mais que todas, além de todas, a primeira, para mim, sem dúvida é quando essa voz dá vida à grande Violeta Parra em Volver a los diecisiete: Volver a los diecisiete después de vivir un siglo Es como descifrar signos sin ser sabio competente, / Volver a ser de repente tan frágil como un segundo Volver a sentir profundo como un niño frente a dios / Eso es lo que siento yo en este instante fecundo. Se va enredando, enredando / Como en el muro la hiedra Y va brotando, brotando / Como el musguito en la piedra Como el musguito en la piedra, ay si, si, si. Mi paso retrocedido cuando el de usted es avance El arca de las alianzas ha penetrado en mi nido / Con todo su colorido se ha paseado por mis venas Y hasta la dura cadena con que nos ata el destino / Es como un diamante fino que alumbra mi alma serena. Se va enredando, enredando / .................................. Lo que puede el sentimiento no lo ha podido el saber Ni el más claro proceder, ni el más ancho pensamiento / Todo lo cambia al momento cual mago condescendiente Nos aleja dulcemente de rencores y violencias / Solo el amor con su ciencia nos vuelve tan inocentes. ....................................... El amor es torbellino de pureza original / Hasta el feroz animal susurra su dulce trino Detiene a los peregrinos, libera a los prisioneros, El amor con sus esmeros al viejo lo vuelve niño / Y al malo sólo el cariño lo vuelve puro y sincero. Se va enredando, enredando / ......................................... De par en par la ventana se abrió como por encanto / Entró el amor con su manto como una tibia mañana Al son de su bella diana hizo brotar el jazmín / Volando cual serafín al cielo le puso aretes Mis años en diecisiete los convirtió el querubín. E em sua marca registrada, da mesma Violeta Parra, Gracias a la vida: Gracias a la vida que me ha dado tanto / Me dio dos luceros que cuando los abro Perfecto distingo lo negro del blanco / Y en el alto cielo su fondo estrellado Y en las multitudes el hombre que yo amo / Gracias a la vida que me ha dado tanto Me ha dado el oído que en todo su ancho / Graba noche y día grillos y canarios ....... / Y la voz tan tierna de mi bien amado Gracias a la vida que me ha dado tanto / Me ha dado el sonido y el abecedario Con él, las palabras que pienso y declaro / Madre, amigo, hermano Y luz alumbrando la ruta del alma del que estoy amando Gracias a la vida que me ha dado tanto / Me ha dado la marcha de mis pies cansados Con ellos anduve ciudades y charcos / Playas y desiertos, montañas y llanos / .....
Gracias a la vida que me ha dado tanto / Me dio el corazón que agita su marco .......... / ............ Cuando miro el fondo de tus ojos claros / Gracias a la vida que me ha dado tanto Me ha dado la risa y me ha dado el llanto / Así yo distingo dicha de quebranto Los dos materiales que forman mi canto / ............ Y el canto de todos que es mi propio canto / Gracias a la vida, gracias a la vida Descanse em paz, Mercedes, e aí no céu cante para o Criador, sabendo que aqui jamais será esquecida.
Escrito por Alice às 22h04
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Felicidade
O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você. Hoje é dia de comemoração. Há exatamente um ano vim passar um fim de semana no Guarujá. E fiquei. Até hoje. Foi tudo tão rápido que na época eu nem tive tempo de não acreditar. A ficha levou uns três meses para cair. E é tão bom que nem vi esse ano passar. Foi um misto de resolver uma situação urgente com realização de sonho, pois sempre sonhei morar na praia. Olho, todos os dias, manhã após manhã ao acordar, esse mar, imenso e lindo mar, aqui em frente de casa. E sempre com olhos apaixonadamente enamorados. Olhar de quem não se cansa de ver. Há um lado negativo? Claro, tudo tem dois lados nesta vida. Estou mais longe de meus pais, minha família, Gustavo e Luciana, que nunca passei mais de quinze dias sem encontrar... Mas essa distância que só faz aumentar a saudade e triplicarem o prazer e a alegria dos reencontros não abala a felicidade de estar morando aqui. Não sei por quanto tempo, não sei por quantos anos ficarei por aqui. Mas se for sempre maravilhoso como foi esse primeiro ano, poderei dizer que fui feliz. A sensação é nova, quase indescritível. Sempre me senti incompleta, insatisfeita. Depois que mudei para cá tudo se completou. É como se finalmente meu corpo tivesse encontrado minha alma e ambos agora vivem harmoniosamente juntos.
Escrito por Alice às 14h50
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Nos tempos do rádio
Nós somos as cantoras do rádio / Levamos a vida a cantar De noite embalamos teu sono / De manhã nós vamos te acordar Nós somos as cantoras do rádio / Nossas canções cruzando o espaço azul Vão reunindo num grande abraço / Corações de norte a sul (Aurora e Carmem Miranda) Quem nasceu sob a dominação da TV nunca entenderá o que foi o rádio na vida do povo. Desde aqueles filmes emocionantes, em que as notícias da guerra eram ouvidas nos rádios, até a divulgação de música e notícias em geral. De quase tudo se tomava conhecimento pelo rádio. Quase todas as cidades dispunham de um serviço local de rádio, e isso fazia do município uma comunidade. As radionovelas faziam sucesso, a mulherada seguindo o drama de mamãe Dolores (como contava minha avó) enquanto fazia o serviço doméstico, o que já não foi de meu tempo. Residi alguns anos em Ribeirão Preto, e embora já houvesse vários canais de televisão e ampla programação, ainda vicejavam diversas rádios na cidade, disputando ouvintes, esclarecendo, informando e divertindo a população. Tudo AM, não existiam, ainda, as FMs.
Por vezes a transmissão era ruim, parecia que o locutor aproveitava para fritar batatas enquanto transmitia, tal era o ruído de fundo que se podia escutar. Entre os programas de rádio peculiares da localidade, na 79 estava o Balanga Beiço, que, a começar pelo nome escrachado já dá uma idéia do conteúdo. Apresentado pelo Tiririca, era voltado às ocorrências policiais locais. Embora não pudesse escutar sempre o programa, em razão do horário da escola, nas poucas vezes que o ouvi me diverti. Tiririca lia as notícias policiais dramatizando e fazendo o teatro correspondente. Era grande imitador – se lia uma briga de marido e mulher apresentava sua versão dos fatos, ora imitando a voz do homem, alterado, ora da mulher, esganiçada. E assim seguia, brigas de bar, acidentes de trânsito, tudo o que ia parar na delegacia de polícia era depois passado pela 79 à população pelo famoso Balanga Beiço. Havia os jingles, alguns bem interessantes, que se fixavam na memória como chicletes com superbonder. Programas românticos, onde as pessoas ofereciam música a outras, uns para confirmar o juramento, outras para declarar um amor platônico, mas sempre com bastante audiência. E os programas esportivos, com notícias do futebol local, mas sempre falando no glorioso Corinthians, que tem torcedores em toda cidade desse Estado. E a previsão do tempo, na voz do inesquecível Narciso Vernizzi. Por que me recordo agora de tudo isso? Porque nessa semana foi comemorado o DIA DO RÁDIO, assisti a uma homenagem ao Vernizzi e senti saudade de um tempo melhor, onde não se precisava permanecer estaticamente sentado na frente da TV para se informar, quando as pessoas se reuniam para ouvir rádio e, principalmente, senti saudade de um radinho amarelo, que parecia uma pulseira caracol, que meu tio João Carlos me deu, nos idos dos anos setenta, que eu usava para ouvir, na aulas do curso colegial, os jogos de futebol de quarta-feira à noite...
Escrito por Alice às 16h03
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Mentira!
Jamais diga uma mentira que não possa provar. (Millôr Fernandes) Há mentiras e mentiras e não-verdades e absurdos. Aquelas mentiras que destroem relacionamentos e vidas, mentiras que prejudicam, ditas com essa intenção, são terríveis. As mentiras ditas por pessoas que mentem compulsoriamente sobre tudo e todos também... e as fofocas, principalmente as fofocas maldosas, mais ainda. Mas não dá para negar que há mentiras divertidas. São da categoria mentiras leves, não prejudicam. Como as estórias de pescadores. Já ouvi cada relato de pescaria... desde peixes de trocentos quilos até sereias que vieram na ponta da linha... Também há as divertidas mentiras das crianças pequenas, que na verdade são fantasias, são exercícios de uma mente em desenvolvimento, que ainda não difere muito entre o sonho e a realidade, o filme e a vida... E os absurdos, os exageros. A megalomania é tanta que ultrapassa todos os limites, até nos relatos das situações mais simples. Lembro-me de uma estória de meu pai sobre um seu amigo, o qual no tempo em que poucos tinham automóvel, contava que seu carro era tão veloz, mas tão veloz, que uma vez viajando à noite por vezes ele teve que parar para a luz do farol passar para a frente do veículo, pois corria tanto que ela ficava para trás...
Escrito por Alice às 07h35
[]
[envie esta mensagem]
[link]
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
|