Devaneios
Saudade igual farol engana o mar / Imita o sol / Saudade sal e dor que o vento traz (Chico Cesar)

Quantas vezes se deseja ter o poder de se tornar invisível. Nem que seja por algum tempo, apenas para ficar lá, em paz, sem nada nem ninguém perturbar. Ou se deseja o poder de voar. Para ir além do possível. Lá, onde ninguém nos encontraria. Algumas vezes o mundo ideal é feito apenas de silêncio. Um profundo silêncio, tão denso que pode ser visto ou tão silencioso que pode ser ouvido. O contrário da balbúrdia. De vez em quando o ideal é um mundo verde. Como um bosque. Fresco, úmido, onde só se ouve o vento nas folhas. Ou então um mundo azul. Um imenso azul, que mistura o céu e o mar, e ficar ali, sileciosamente sendo ninado ao sabor do movimento da água. Um pedaço de mim não aceita a convivência, a humanidade, as convenções, os barulhos, a mistura de cores e formas. Tenho de lutar para aceitar o outro. Obrigar-me a sorrir, conversar, demonstrar interesse pelo mundo e pelas pessoas. Porque não é o meu natural. Queria morar numa ilha. De preferência no farol. Como uma sentinelle d’Iroise. Absolutamente sozinha. Nunca mais ler jornal, não saber da maldade dos homens, das misérias do mundo. Não sei porque sou assim.
Escrito por Alice às 18h58
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Sampa, eu te amo!
 O tempo tudo mudou, / Mas não apagou, / A tua poesia. (Bezerra de Menezes)
25 de janeiro. Minha cidade natal amanhece em festa, é seu aniversário. Cidade amada, palco de tantos acontecimentos históricos, verdadeira história viva desse país. Aqui se formaram grandes políticos que fizeram a grandeza do Brasil. Cidade de agudos contrastes, onde a riqueza é tão milionária e a pobreza tão miserável. Amo São Paulo. É minha terra amada, onde há sempre algo novo a se descobrir, sem descuidar dos lugares já vistos e vividos. Bela Vista, o bairro mais paulistano onde nasci. Paulista, a mais paulista das avenidas. Avenida Ipiranga e Avenida São João, cruzamento onde não se passa despercebido, pois algo acontece no coração de quem se vê ali. São Paulo, garoa, calor, teatros e shows. São Paulo, seca, inversão térmica, chuvas e inundações. São Paulo, sombra, concreto, cinemas e exposições. Bienais. Autódromo. Represas. Pontes e ponte estaiada. Ibirapura, Obelisco, Trianon. Sé e República. Terraço Itália, Copam e Hilton. Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, Revolução Constitucionalista, MMDC, Viveram pouco para morrer bem – Morreram jovens para viver sempre Se aqui a história se fez, se daqui tantos grandes saíram, não podemos negar o destino de locomotiva do país a esse Estado, cuja grandeza começa em sua capital, São Paulo. Cidade de contrastes na vida, ricos e pobres, sãos e doentes, mansões e favelas, onde tudo é levado aos extremos. Terra de meu Corinthians, dividido entre o amor de 35 milhões de torcedores fanáticos... Bixiga, Adoniram Barbosa, samba italianado que tem no cotidiano sua inspiração. Cantinas italianas, pfs e restaurantes franceses estrelados... Amor para quem a compreende, ódio para quem sucumbe à sua grandeza. Amada ou odiada. Mas ninguém lhe é indiferente. À minha amada São Paulo, neste seu aniversário, dedico minha declaração de amor eterno.
Escrito por Alice às 10h22
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Momento poético
Para não completar uma semana sem postar nesse novo ano, "ctrl C + ctrl V" nesse poema de David Mourão-Ferreira: PENÉLOPE Mais do que um sonho: comoção! Sinto-me tonto, enternecido, ... quando, de noite, as minhas mãos são o teu único vestido.
E recompões com essa veste, que eu, sem saber, tinha tecido, todo o pudor que desfizeste como uma teia sem sentido; todo o pudor que desfizeste a meu pedido.
Mas nesse manto que desfias, e que depois voltas a pôr, eu reconheço os melhores dias do nosso amor.
Escrito por Alice às 20h50
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Hoje eu copio!
Era uma vez um homem que procurava um seixo que virava qualquer metal em ouro. Saiu por aí – foi na índia – saiu ainda jovem pela índia, todo seixo que via no chão apanhava, batia na fivela de metal do cinto e atirava fora. Andou por todas as estradas da índia catando seixos, colheu pedrinhas no fundo dos rios, e nada. Um dia, depois de anos e anos de procura, já velho e alquebrado, sentou-se à sombra de uma árvore para descansar e distraidamente olhou para a fivela do cinto – a fivela do cinto, que era de um metal qualquer tinha virado ouro. Onde? Quando? Quer dizer que o seixo procurado estivera nas suas mãos! Resignado, o velho recomeçou a procura... (Fernando Sabino em “O Encontro Marcado”)
Escrito por Alice às 23h44
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Conjugando o verbo amar
Eu te peço perdão por te amar de repente, Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos. (Vinicius de Moraes)
Um dia Mário de Andrade nos brindou com Amar, Verbo Intransitivo. Deixando para lá o enredo, que não é do agrado geral, fico no título e sobre ele medito: Amar, verbo intransitivo. Eu amo. Ponto final. Eu amo porque amo. Eu amo por amar. Eu amo. Não interessa o que. Se amo alguém, se me amo, se amo o próprio amor. Porque não seria um verbo transitivo. Nem direto nem indireto. Mas um verbo intransitivo, sem qualquer complemento. Eu amo. Apenas. Não, não é assim. Para mim amar é um verbo transitivo. Quem ama, ama alguém, ou ama algo. Ainda que ame a si próprio. Ou uma coisa desprezível. Mas ama com complemento. Portanto prefiro a outra forma: amar, verbo transitivo. Falo hoje não do amor, sentimento sublime, que une pais e filhos, que eleva, que apura, que doa, que tudo... Não. Nada disso. Falo do amor sensual. Ou melhor, da paixão quando denominada amor. O que seria do mundo sem esse amor-paixão? Já teria acabado há muito tempo. Por tédio, por inércia. Por verdadeira inação. Só agimos sob o signo da paixão. Vê-se de longe quem é e quem não é apaixonado. E não quem está ou não está apaixonado. Porque não se trata de estar, mas de ser apaixonado. Como uma qualidade que a pessoa carrega consigo. Os apaixonados se arriscam, se lançam, se atiram, vão mais longe, querem chegar a algum lugar. Diferente de quem não ama ou não tem paixão: se deixa ficar, não busca, não sonha, não vai... A paixão é o sal e a pimenta do viver. Tempera a existência, dá gosto. Desperta o prazer de viver. Quanto mais se é apaixonado, aquela paixão que cega, de adrenalina, que faz acelerar o coração, que tira o fôlego, mais feliz se é. Por paixão em tudo – no estudo, no serviço, no que se faz por gosto e naquilo que só é feito por obrigação – torna a vida mais leve. Portanto, ser intensamente apaixonado nos torna melhores humanos, nos leva mais longe do ponto de partida. Esse verbo amar do amor-paixão tem de ser conjugado diariamente para que a vida valha a pena ser vivida. Mas, para mim, deveria ser modificado um bocadinho: o verbo amar não poderia, jamais, ser conjugado no tempo passado.
Escrito por Alice às 17h04
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Acróstico
Meus tempos idos de um feliz passado... . Acho nos versos que um tempo acabado Lá bem distante na vida esqueceu. Imerso em cores de tanta lembrança, Comparo agora o tempo de criança, E vejo então que quem mudou fui eu. Nunca apreciei muito os acrósticos em geral, estrofes em que a primeira letra de cada verso forma um nome na vertical. Mas – o inevitável mas – por vezes nos deparamos com alguns acrósticos inteligentes, outros interessantes, outros tão românticos, que a poesia que emanam disfarçam sua natureza de acróstico. Também algumas pessoas são tão poeticamente felizes ao homenagear alguém através do nome, que fazem com que a exceção venha confirmar a regra. Um dia há muito, muito tempo, mudei-me de cidade, em plena adolescência. Saí da pequena Orlândia e fui morar em Ribeirão Preto. Era moda no final do ginásio passar-se um caderno entre os colegas e professores, e cada um deveria escrever alguma coisa. De regra, com preguiça de pensar, cuidávamos de transcrever poesias. E uma simples dedicatória, e estava resolvido o assunto. Passei – eu também, meu caderninho. Capa dura, amolfadado, macio, lindo. Para durar a vida inteira. E, dentre os escritos que trouxe quando voltou às minhas mãos, estava esse lindo acróstico, de autoria do professor de português, Aparecido Luciano de Queiroz. Que guardo comigo até hoje com muito carinho e me faz sempre ler primeiro um acróstico antes de dizer que não aprecio...
Escrito por Alice às 00h50
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Tempus fugit
Le temps est le grand art de l'homme. (Napoléon Bonaparte)
31 de dezembro. Mais um ano se finda. Amanhã será Ano Novo. Depois de amanhã já não será mais nada. A vida realmente é só o agora, nesse instante. Já não é mais quando comecei a escrever alguns segundos atrás. Já foi, passou. Esse instante, algo tão fugidio que não podemos reter, é que nos mostra que estamos vivos. Um dia, por razões que não sei, alguém resolveu fatiar o tempo. Os dias, todos iguais, amanhecia, clareava, nascia o sol. Ia ao centro do céu, começava a descer, sumia, escurecia anoitecia. Surgiam a lua e seu séquito de estrelas. E tudo se repetia indefinidamente e ninguém se preocupava com isso, porque era natural. Mas – e aí vem o histórico mas – alguém chamou esse ciclo infinito de dia, day, jour, يوم, ditë, dag, tag, giorno, den, e outros nomes. Não contente, agrupou-os de acordo com as fases que enxergava da lua. E finalmente, quando viu que esta também se repetia, separou as luas e fez os meses. Daí para o ano deve ter sido um pulinho. E um esperto, provavelmente mercador de champagne, decidiu que quando se completasse o ciclo do ano, deveríamos comer muito, dançar muito e, para conseguir isso, beber muito. Champagne, claro. Com o tempo, como tudo tende a ser esculhambado, em alguns países menos desenvolvidos bebem cerveja mesmo para comemorar (ou bebemorar, já não sei bem) essa passagem de um ano para outro. Tudo isso porque um dia alguém não foi trabalhar e percebeu que o sol aparecia e sumia, num ritmo tão certo que poderia ser marcado num ponto do chão e seria sempre igual. Foi o primeiro relógio... Amigos, leitores, a todos vocês, pegando carona na idéia genial que um dia alguém teve, desejo que todos tenham seu champagne para estourar esta noite e recebam de braços e corações abertos, o novo ano que será novo até amanhã à noite.
Escrito por Alice às 11h16
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Linda Homenagem
Hermes Falleiros, médico, residente em Franca, homenageia seu pai pelos noventa anos. Com muita sensibilidade e emoção.
NOVENTA ANOS
Hoje, dia 28 de dezembro de 2011, meu pai completa noventa anos. Contemplando seu semblante sereno, fico a pensar se ainda há lembranças atrás de seus olhos, hoje baços e avermelhados, e que outrora foram azuis e luminosos... Quanta vida houve nesse corpo hoje debilitado e alquebrado, quanta agilidade nas pernas hoje inertes, quanto trabalho nas mãos ora descoordenadas... E a cabeça? Quanta coisa criou, quantas palavras bonitas escreveu... Quantos planos, quantos sonhos houve que só ele teve conhecimento, quanta preocupação pela família que dele dependia... Quantos desses sonhos terá realizado? Quanta alegria essa família lhe trouxe, fruto de sua dedicação e exemplo? E o coração... Forte até hoje, quantos trancos agüentou? Só sei que muito amou, de sua maneira altruísta, sem nada pedir a ninguém... Repasso em minha mente as lembranças que temos em comum. As mais remotas são os passeios pela praça, muitas vezes só nós dois, enquanto minha mãe ficava em casa envolvida com os afazeres domésticos. Fizemos pouca coisa juntos, talvez pelo seu temperamento fechado, sempre voltado para o trabalho, talvez pela falta de interesses em comum. Ele dizia-se corintiano, mas nunca foi um torcedor fanático, e talvez por isso não me passou a paixão pelo esporte. Eu herdei da minha mãe a musicalidade, e ele é a pessoa mais anti-musical que conheço! Mas herdei dele a responsabilidade, a seriedade e a honestidade, principalmente em relação ao trabalho. E com a idade, consegui adquirir um pouco de serenidade, sua marca registrada de sempre... Mas mesmo assim, sempre houve a certeza do apoio, do respaldo, da torcida pelo meu sucesso. O que mais posso dizer deste homem, hoje mais silencioso que sempre, mas mesmo assim ainda dando exemplo de vida, pois é um doente calmo, que não dá trabalho para as pessoas que cuidam dele, não tem as impertinências que seriam próprias da idade... Foram noventa anos pautados nos exemplos recebidos e talvez nos sofrimentos vividos, pois foi criado sem mãe, estudou em internato, mas sempre tinha gratas recordações dos tempos passados entre os muros do colégio. Sempre foi grato aos irmãos maristas responsáveis por sua formação moral e cultural e passou para seus filhos o reconhecimento pelos mestres. Ensinou-nos sempre a respeitar os mais velhos, e ser atenciosos com eles, principalmente com os tios e tias, que sempre foram suas referências, já que seu pai vivia na fazenda e sua mãe morrera cedo. Ele formou três filhos, que por seus exemplos, na maioria silenciosos, tornaram-se profissionais e adultos responsáveis. Foi, à sua maneira, sempre carinhoso com os que o cercavam, tendo às vezes para cada um, uma palavra jocosa criada por ele: “moleca” para minha mãe, “mutreco” para mim, “maçaroca” para minha irmã, “beleleco” para seu neto... Criava seu próprio vocabulário: nunca dizia “estou duro” quando estava sem dinheiro, mas “estou brenó”... Neste dia, quero dedicar-lhe todo o meu amor e reconhecimento, e desejar-lhe a paz que sempre mereceu!
Hermes Falleiros
Escrito por Alice às 14h00
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Jingle bells a todos vocês
El tiempo pasa / Nos vamos poniendo viejos. / Y el amor no lo reflejo como ayer / En cada conversación / Cada beso cada abrazo Se impone siempre un pedazo de razón(Pablo Milanés)
Este blog não é exatamente concorrido. Tem poucos – mas fiéis – leitores. Com os quais estou em grave débito. A produção deste ano de 2011 foi nula. Faltou tempo, sobraram dores, faltou computador, faltou inspiração. Muitas vezes a cabeça fervilhando, e o tempo escasso. Outras vezes sobra até um tempinho no começo da noite, mas – talvez devido ao cansaço mental do horário – nenhuma idéia digna de ser desenvolvida. E assim vi passar o ano. Mas não quero que se vá de vez antes de conversarmos um pouco. Amanhã seguirei para uma cidadezinha do interior onde não tenho Internet, nem telefone, e, surpreendentemente, é difícil conectar o 3G. Acho que a cidade é tão insignificante que nem os satélites a cobrem. Isso justifica o sumiço, exatamente nos dias em que – em tese – teria mais tempo livre para escrever. Dou-me conta que de novo é Natal. Nossa vida é pontilhada por datas especiais, assim não podemos ignorar a passagem do tempo. Que, como num quadro de Dali, vai escorregando pelas horas, pelos dias, pelos anos. Aí dizemos: Puxa, já é Natal de novo. Nem vi o ano passar. O tempo está passando muito depressa. E eu pergunto: o tempo envelhece? Seus cabelos ficam brancos, sua pele perde o viço, seu corpo perde as formas, sua memória esmaece? Não. Então, meus caros amigos e leitores, chego a uma clara conclusão: o tempo não passa. Passamos nós. E apressados, não vemos que corremos muito, na espiral dos dias e que, de tanta pressa, tão logo –de novo – encontramos o Natal, sempre parado no mesmo dia 25 de dezembro, impávido assistindo a humanidade chegar correndo, trocar abraços e presentes, para, no dia 26 logo cedo, sair correndo de novo, qual um coelho apressado de Lewis Caroll. Para você que, apressadamente passar por aqui, diminua o ritmo, e receba meu abraço de Feliz Natal!
Escrito por Alice às 21h08
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De novo, o verão
Midi, roi des étés, épandu sur la plaine, Tombe en nappes d'argent des hauteurs du ciel bleu, Tout se fait. L'air flamboie et brûle sans haleine; La terre est assoupie en sa robe de feu. (Leconte de Lisle, Poèmes antiques)
De repente amanhece sem chuva. Que beleza. No final do dia o sol aparece. Já estava com saudade dele. Passam-se os dias, as ruas começam a ficar com mais movimento. Trovões e temporais na noite mostram que o inverno já se foi e a primavera está acabando. E uma manhã o sol já nos espera na praia logo cedo. Assim como quem não quer nada, vejo dezenas de guarda-sóis chegando na praia, pipocando aqui e ali, deixo tudo em compasso de espera aqui em cima e vou, eu também, para a praia. O mar ainda gélido, dois dias depois já colabora, tem uma temperatura mais agradável. Aí vem o fim de semana. Filas de carro, centenas de pessoas passeando no calçadão, praia quase cheia. E sol, sol o dia todo, nenhuma nuvem. Finalmente começamos a sentir calor, nos locais públicos os ventiladores voltam a ser ligados. A cidade vai-se aos poucos colorindo de pessoas, as crianças reaparecem no calçadão, os sorveteiros já sorriem à toa. Não há dúvida. O verão está voltando.
Escrito por Alice às 00h22
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Talvez eu voltei... quem sabe...
Acho que minha admiração pelo mundo dos computadores está em curva decrescente. Troquei meu equipamento de mesa, onde trabalho entre 8 e 12 horas por dia. O técnico recomendou que comprasse da Dell, ele mesmo negociou a compra da máquina e suas especificações, entrou com o conhecimento e minha parte foi pagar. Até aí, beleza. Recebi o bicho, novinho, instalei. E fui tentar trabalhar no Office que veio instalado. Sofrimento atroz. Nada funcionava. Tudo diferente. Fui aos trancos e barrancos até conseguir me familiarizar e obter alguns resultados. Magros, parcos, desanimadores. Aí começou outro problema: se tentava usar um dado de meu próprio banco, travava. Se tentava inserir alguma pesquisa, apagava tudo o que tinha sido feito. Uns dez dias mais refazendo do que fazendo, o serviço acumulando e eu quase pondo em prática a diferença entre software e hardware (software é o que xingamos, hardware o que chutamos). Até que apareceu uma mensagem de erro que pedia um número de licença para uso do programa. Beleza, se é só isso, tá na mão. Peguei a documentação que acompanha o computador e... cadê o número? Não tem. Ligo para o técnico. Ele manda pegar a documentação e digitar o número. Explico que não veio nenhum número. Descobrimos que o programa posto pela Dell não vai mais funcionar. Preciso comprar um Office novo para instalar se quiser continuar a trabalhar. Nem ligo na Dell, desisto de reclamar. Busco no fundo do baú meus programas – antigos mas originais, licenciados em meu nome – e reinstalo. Fácil, não? Pois é, quem achou fácil me esclareça: onde o programa foi salvo? Como abri-lo? Ele está aqui, instalado, mas oculto. Ocultérrimo para ser franca. Semana com feriado. O técnico não tem data para agenda. Volto vinte anos no tempo e resolvo que terei eu mesma de dar a solução ou então será melhor me aposentar e/ou mudar de nome. Desde sexta-feira à tarde consigo abrir o programa, fiz o atalho para a página inicial e outro para o sempre visível da barra inferior do Microsoft... Consegui... Mas concordem comigo: trabalho atrasado, casa cheia de visitas, marido com assistência para medicamentos com horas marcadas várias vezes ao dia e editor de texto que não funciona: está ou não justificada minha ausência desta salinha de visitas virtual?
Escrito por Alice às 10h25
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Divagando
A mão, incrédula, parou em meio ao movimento Os olhos, atônitos, não queriam ver O pensamento indômito de que Somente a morte poderia separá-los... Tudo acabado... Deixou-o ir Deixou-se ficar Inerte No momento mágico do primeiro encontro, Na reação química dos corpos se encontrando, Tudo que era platônico se realizando, para que hoje, nesse ácido hoje tristonho, se fosse, trôpego, sem forças e ficasse, pálida, sem vontade, e ambos, em lágrimas da saudade antecipada
Escrito por Alice às 08h35
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Faz de conta que voltei...
Transcrevo uma crônica do Jabor, enviada por meu amigo Lorenzo:
BARRIGA É BARRIGA... Arnaldo Jabor
Barriga é barriga, peito é peito e tudo mais. Confesso que tive agradável surpresa ao ver Chico Anísio no programa do Jô, dizendo que o exercício físico é o primeiro passo para a morte. Depois de chamar a atenção para o fato de que raramente se conhece um atleta que tenha chegado aos 80 anos e citar personalidades longevas que nunca fizeram ginástica ou exercício - entre elas o jurista e jornalista Barbosa Lima Sobrinho - mas chegou à idade centenária, o humorista arrematou com um exemplo da fauna: A tartaruga com toda aquela lerdeza, vive 300 anos. Você conhece algum coelho que tenha vivido 15 anos? Gostaria de contribuir com outro exemplo, o de Dorival Caymmi. O letrista compositor e intérprete baiano era conhecido como pai da preguiça. Passava 4/5 do dia deitado numa rede, bebendo, fumando e mastigando. Autêntico marcha-lenta, levava 10 segundos para percorrer um espaço de três metros. Pois mesmo assim e sem jamais ter feito exercício físico viveu 90 anos. Conclusão: Esteira, caminhada, aeróbica, musculação, academia? Sai dessa enquanto você ainda tem saúde... E viva o sedentarismo ocioso!!! Não fique chateado se você passar a vida inteira gordo. Você terá toda a eternidade para ser só osso!!! Então: NÃO FAÇA MAIS DIETA!! Afinal, a baleia bebe só água, só come peixe, faz natação o dia inteiro, e é GORDA!!! O elefante só come verduras e é GORDOOOOOOOOO!!! VIVA A BATATA FRITA E O CHOPP!!! Você, menina bonita, tem pneus? Lógico, todo avião tem! E nunca se esqueçam: 'Se caminhar fosse saudável, o carteiro seria imortal.´ E lembrem-se sempre: Celulite quer dizer: EU SOU GOSTOSA! Em braile! |
Escrito por Alice às 15h48
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De volta!
Notre âme a plus de capacité pour le plaisir que pour la douleur. (Maine de Biran)
Tanto tempo sem vir aqui que estou até desacostumada de escrever para o blog.Tudo ou com a agonia do computador. Era só começar a trabalhar no World e ele desmaiava. Depois os desmaios começaram a ficar mais intermitentes, mal ligava e o bicho já desfalecia. Um dia nem ligou. Era sábado. Não tinha como acionar o técnico. Teimosa, no domingo resolvi usar. Funcionou perfeitamente. Na segunda-feira, desde cedo, trabalhei e nem pensei em chamar o Carlos, meu anjo da guarda em assuntos de informática. Na terça-feira à tarde, em meio de um trabalho, meu computador faleceu. Irremediavelmente. Quarta era feriado. Carlos conseguiu vir na sexta-feira. Só para assinar o atestado de óbito. Daqui mesmo já acionou a Dell e montou a máquina que me era conveniente.
Minha parte foi pagar (adorei, porque em geral faço tudo para todo mundo e ainda pago no final. Desta vez só paguei. Da próxima, quem sabe, sou dispensada até de pagar). Montou meu mínimo netbook de forma que eu pudesse trabalhar. Enquanto esperava o envio da nova máquina. E aí, feriado comendo semana, e feriado atrapalhando a entrega. Finalmente chegou. Com um programa novo... Mas estou conseguindo me virar. Já perdi as contas de quantos programas aprendi a manejar desde meu primeiro computador, e lá se vão mais de vinte anos... Só sei uma coisa: não me importo de trocar quantos computadores precisar, mas os dias em que fico sem nenhum, o terrível intervalo entre uma e outra máquinas, me deixa transtornada no começo, conformada no meio e aliviada no final. Quando finalmente desacostumo de vir ao escritório navegar na internet, distrair com alguma coisa, chega a nova máquina. Aí estou cheia de preguiça... por isso ainda não voltara aqui no Alinhavando. Mas agora, força total, maravilhosa máquina, rapidíssima, alguns tropeços inevitáveis no novo programa.
Escrito por Alice às 11h24
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Navegar é preciso
Não podemos orientar o vento, mas podemos ajustar a nossa vela... Só estamos aqui por que um dia navegaram... Os espanhóis navegaram, os ingleses navegaram, os portugueses navegaram (os povos do norte também, mas não atravessaram os mares...) E como os portugueses navegaram... Ao vermos as pequenas dimensões daquele país, imaginamos a diminuta população local há mais de quinhentos anos, e nos damos conta de quantos homens se lançavam ao mar em cada expedição, concluímos pela coragem do povo português, seu desprendimento pela vida pessoal em prol de uma pátria melhor, de um futuro melhor... O que tinham para navegar, além da própria coragem? Pouco, barcos rudimentares, conhecimentos náuticos surpreendentes, muita disciplina e companheirismo. Porque não tinham radares. Nem rádios. Nem antenas. Nem celulares. Nem quase nada. Mesmo assim seguiam a se aventurar por novos mares, novas terras, confirmando que o planeta não era quadrado, que nada havia de terrível abaixo da linha do equador (o terrível só veio quinhentos anos depois, com o Brasil atingindo a maior marca de violência já conhecida, o país onde mais se mata em tempos de paz)... Morando em frente ao mar, convivendo com ele anos a fio, impossível não pensar em Pessoa: Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena. Quem quer passar além do Bojador Tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele é que espelhou o céu. E penso em meu comodismo, vou à Europa em modernos aviões, super- bem-equipados, de lá posso falar com meus familiares a qualquer momento, não há distância nesse mundo que os transportes e a comunicação instantânea tornou tão pequeno. Se navego? Sim, navego, egoista e solitariamente pela Internet, que me faz acreditar que exista amizade, calor, companheirismo, mas só me mostra uma tela fria acoplada a um mecanismo gelado!
Escrito por Alice às 14h33
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