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    Alinhavando letras - blog de Alice


    Felicidade

    O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você.

     

     

     

    Hoje é dia de comemoração.

     

    Há exatamente um ano vim passar um fim de semana no Guarujá. E fiquei. Até hoje.

     

    Foi tudo tão rápido que na época eu nem tive tempo de não acreditar. A ficha levou uns três meses para cair. E é tão bom que nem vi esse ano passar.

     

    Foi um misto de resolver uma situação urgente com realização de sonho, pois sempre sonhei morar na praia.

     

    Olho, todos os dias, manhã após manhã ao acordar, esse mar, imenso e lindo mar, aqui em frente de casa.

     

    E sempre com olhos apaixonadamente enamorados. Olhar de quem não se cansa de ver.

     

    Há um lado negativo? Claro, tudo tem dois lados nesta vida. Estou mais longe de meus pais, minha família, Gustavo e Luciana, que nunca passei mais de quinze dias sem encontrar...

     

    Mas essa distância que só faz aumentar a saudade e triplicarem o prazer e a alegria dos reencontros não abala a felicidade de estar morando aqui.

     

     

    Não sei por quanto tempo, não sei por quantos anos ficarei por aqui. Mas se for sempre maravilhoso como foi esse primeiro ano, poderei dizer que fui feliz.

     

    A sensação é nova, quase indescritível. Sempre me senti incompleta, insatisfeita.

     

    Depois que mudei para cá tudo se completou.

     

    É como se finalmente meu corpo tivesse encontrado minha alma e ambos agora vivem harmoniosamente juntos.



    Escrito por Alice às 14h50
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    Nos tempos do rádio

    Nós somos as cantoras do rádio / Levamos a vida a cantar
    De noite embalamos teu sono / De manhã nós vamos te acordar

    Nós somos as cantoras do rádio / Nossas canções cruzando o espaço azul

    Vão reunindo num grande abraço / Corações de norte a sul

    (Aurora e Carmem Miranda)

     

     

     

    Quem nasceu sob a dominação da TV nunca entenderá o que foi o rádio na vida do povo.

     

     

    Desde aqueles filmes emocionantes, em que as notícias da guerra eram ouvidas nos rádios, até a divulgação de música e notícias em geral.

     

    De quase tudo se tomava conhecimento pelo rádio. Quase todas as cidades dispunham de um serviço local de rádio, e isso fazia do município uma comunidade.

     

    As radionovelas faziam sucesso, a mulherada seguindo o drama de mamãe Dolores (como contava minha avó) enquanto fazia o serviço doméstico, o que já não foi de meu tempo.

     

    Residi alguns anos em Ribeirão Preto, e embora já houvesse vários canais de televisão e ampla programação, ainda vicejavam diversas rádios na cidade, disputando ouvintes, esclarecendo, informando e divertindo a população.


    Tudo AM, não existiam, ainda, as FMs.

     

    Por vezes a transmissão era ruim, parecia que o locutor aproveitava para fritar batatas enquanto transmitia, tal era o ruído de fundo que se podia escutar.

     

    Entre os programas de rádio peculiares da localidade, na 79 estava o Balanga Beiço, que, a começar pelo nome escrachado já dá uma idéia do conteúdo.

     

    Apresentado pelo Tiririca, era voltado às ocorrências policiais locais.

     

    Embora não pudesse escutar sempre o programa, em razão do horário da escola, nas poucas vezes que o ouvi me diverti.

     

    Tiririca lia as notícias policiais dramatizando e fazendo o teatro correspondente.

     

    Era grande imitador – se lia uma briga de marido e mulher apresentava sua versão dos fatos, ora imitando a voz  do homem, alterado, ora da mulher, esganiçada.

     

    E assim seguia, brigas de bar, acidentes de trânsito, tudo o que ia parar na delegacia de polícia era depois passado pela 79 à população pelo famoso Balanga Beiço.

     

    Havia os jingles, alguns bem interessantes, que se fixavam na memória como chicletes com superbonder.

     

    Programas românticos, onde as pessoas ofereciam música a outras, uns para confirmar o juramento, outras para declarar um amor platônico, mas sempre com bastante audiência.

     

    E os programas esportivos, com notícias do futebol local, mas sempre falando no glorioso Corinthians, que tem torcedores em toda cidade desse Estado.

     

    E a previsão do tempo, na voz do inesquecível Narciso Vernizzi.

     

    Por que me recordo agora de tudo isso? Porque nessa semana foi comemorado o DIA DO RÁDIO, assisti a uma homenagem ao Vernizzi e senti saudade de um tempo melhor, onde não se precisava permanecer estaticamente sentado na frente da TV para se informar, quando as pessoas se reuniam para ouvir rádio e, principalmente, senti saudade de um radinho amarelo, que parecia uma pulseira caracol, que meu tio João Carlos me deu, nos idos dos anos setenta, que eu usava para ouvir, na aulas do curso colegial, os jogos de futebol de quarta-feira à noite...



    Escrito por Alice às 16h03
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    Mentira!

     

    Jamais diga uma mentira que não possa provar.

     (Millôr Fernandes)

     

     

     

     

     

     

     

     

    Há mentiras e mentiras e não-verdades e absurdos.

     

    Aquelas mentiras que destroem relacionamentos e vidas, mentiras que prejudicam, ditas com essa intenção, são terríveis.

     

    As mentiras ditas por pessoas que mentem compulsoriamente sobre tudo e todos também... e as fofocas, principalmente as fofocas maldosas, mais ainda.

     

    Mas não dá para negar que há mentiras divertidas.

     

    São da categoria mentiras leves, não prejudicam.

     

    Como as estórias de pescadores.

     

    Já ouvi cada relato de pescaria... desde peixes de trocentos quilos até sereias que vieram na ponta da linha...

     

    Também há as divertidas mentiras das crianças pequenas, que na verdade são fantasias, são exercícios de uma mente em desenvolvimento, que ainda não difere muito entre o sonho e a realidade, o filme e a vida...

     

    E os absurdos, os exageros. A megalomania é tanta que ultrapassa todos os limites, até nos relatos das situações mais simples.

     

    Lembro-me de uma estória de meu pai sobre um seu amigo, o qual no tempo em que poucos tinham automóvel, contava que seu carro era tão veloz, mas tão veloz, que uma vez viajando à noite por vezes ele teve que parar para a luz do farol passar para a frente do veículo, pois corria tanto que ela ficava para trás...



    Escrito por Alice às 07h35
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    Dia de chuva

    Mon parapluie est un abri  / Je lui dis de prendre mon bras

    Nous accorderons nos deux pas / Et je lui dis tout bas

    On peut rever, on se sent ivres / Seuls sous la pluie

    Les gens s’enfuient, on se sent libres /  Seuls sous la pluie

    Seuls sous la pluie, quand les rues se vident.

    (Richard Anthony)

     

    A chuva nos enjaula.

     

    Hoje, pleno domingo, amanheceu chovendo aqui no Guarú, não parou de cair água.

     

    Pela manhã alguns bem-dispostos caminharam empunhando guarda-chuva. Tô fora.

     

    Adoro fazer minha caminhada matinal, mas não de guarda-chuva. Aí já é  demais.  É esperar muito de uma esportista mais que amadora.

     

    Depois das dez horas não vi mais ninguém andando pelo calçadão da praia. Alguns surfistas insistiram em ficar no mar, mas isso não é novidade, porque pode estar nevando que eles estão lá no meio das ondas, com suas roupinhas pretas.

     

    Ou a humanidade que guarnece o Guarujá está em casa, olhando a chuva  pelas janelas, ou está nos restaurantes praticando outro esporte, não tão saudável assim.

     

    Mas uma coisa não se pode negar: caminhar carregando um guarda-chuva é coisa que ninguém merece. A começar da aparência de cogumelo, aquelas perninhas embaixo da roda de pano...

     

    O incômodo: se entrar em algum lugar ou se parar a chuva, o que fazer daquele negócio desconfortável de ser carregado, que só serve para cair nas lojas e ser esquecido nos restaurantes?

     

     

    E por fim o nome: guarda-chuva. Mas não guarda nada, sei lá porque esse nome ridículo. Uma mania de por guarda nos nomes, é guarda-chuva, guarda-roupa, guarda-comida, guarda-vida, guarda-corpo, guarda de trânsito, guarda noturno...

     

     

    Os franceses dizem parapluie, mais condizente com a finalidade do artefato: ele para a chuva antes que ela nos atinja. Mas nem por isso mais prático ou mais bonito. Mas é mais romântico, andar com seu amor em Paris, sob a chuva ... mesmo porque nada melhor para unir duas pessoas que um guarda-chuva no meio...

     

     

     

    Para os dias de sol temos a sombrinha (que só quem é muito chique ou de origem chinesa para usar), que os neogauleses chamam ombrelles ou parasols (realmente param o sol). Que delicada é a língua francesa.

     

     

    E o que fazer num domingo em que a chuva não dá trégua? Ler os blogs de todos os amigos, escrever bobagens no próprio blog ou preparar uma bandeja de petiscos e outras comidinhas, relaxar e se emocionar e se debulhar em lágrimas assistindo Les  parapluies de Cherbourg ???? (inacreditavelmente traduzido para Os guarda-chuvas do amor!)

     

     



    Escrito por Alice às 17h08
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    Pobres meninas

    Definitivamente, meu computador, a maresia e a umidade não se combinam. Improviso neste notebook alheio, ou meus caros e raros leitores desistirão de mim...

     

     

    Eram duas menininhas  / Filhas de boa família:

    Uma chamada Marina / A outra chamada Marília.

    (Balada das duas mocinhas de Botafogo – Vinicius de Moraes)

     

     

     

    Assunto recorrente, abuso de menores.

     

    O Guarujá está fervendo desde o final da semana com uma notícia dessa natureza, e, portanto,  inevitavelmente asquerosa e nojenta.

     

    Um aposentado abusou sexualmente de duas irmãs – gêmeas – de onze anos de idade. Uma está grávida. O cara foi preso.

     

    Até aqui a notícia já não é fácil de digerir. Mas os detalhes a tornam bem pior.

     

    Os pais das meninas estão muito revoltados. O que não causaria espanto se a notícia parasse por aqui.

     

    As meninas confirmam que recebiam dinheiro do homem – morador de casa vizinha a delas – para os programas sexuais.

     

    O pior vem agora: HÁ MAIS DE DOIS ANOS QUE ISSO VINHA ACONTECENDO.

     

    Aí é de pasmar. De dar náusea em lesma.

     

    Ou seja: desde que as meninas tinham cerca de nove – NOVE – anos de idade serviam à tara do vizinho. E eram pagas para isso.

     

    Nove anos de idade – deveriam estar recolhidas e protegidas em casa, pelos pais.

     

    E eles não sabiam? Impossível.

     

    Como duas meninas de tão pouca idade podem permanecer na casa de um vizinho e ninguém notar, por anos a fio? Onde estava essa mãe durante todo esse tempo?

     

    Ninguém notava que as menininhas apareciam com dinheiro – por mais de dois anos?????

     

    Ou será que os responsáveis recebiam o valor do aluguel das coitadinhas, e se uma não tivesse engravidado a situação ainda perduraria?

     

    Além do tarado e desavergonhado – acredito que de pedófilo (o que foi acusado) a besta fera nada tem, não passa de um abusador de crianças – os pais das gêmeas também deveriam estar presos e ter o pátrio poder liminarmente cassado – não têm a mínima condição de exercê-lo, portanto não o podem manter.

     

    Aqui há pouquíssimas crianças perambulando pelas ruas, fingindo tomar conta de veículos, esmolando ou fazendo malabares nos semáforos (o que dá tudo no mesmo – pedintes). E quando aparecem são sempre os mesmos quatro ou cinco, que não duram muito nas ruas.

     

    Isso se deve a algum programa social em conjunto com as autoridades locais.

     

    Mas o caso dessas meninas gêmeas não há como um programa social ou uma autoridade prevenir ou impedir o fato: juntam-se à bestialidade de um tarado, a omissão (prefiro acreditar no desconhecimento) de um pai e a conivência (não dá para não acreditar) de uma mãe que provavelmente era recompensada por isso, e a criança, a eterna vítima, usada, abusada e descartada.

     

    O que será do destino dessas marina e marília, qual poeta comporá uma balada para essas duas menininhas de Vila Caranguejo?  

     

     

     



    Escrito por Alice às 22h21
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    Abaporu

     

     

      

    Que é o homem, se sua máxima ocupação e o bem maior não passam de comer e dormir?

    (Shakespeare)

      

     

     

     

     

     

     Acho meio esquisita a vocação carnívora do homem. Matar um bicho seis vezes maior que ele, com requintes de crueldade, sem caçada, a sangue frio sem dó nem piedade, que pesa até dez vezes mais que o próprio homem, simplesmente para comer...

     

    Aliás, no quesito alimentação o ser humano é o animal mais esquisito da natureza.

     

    Há animais mamíferos, animais herbívoros e animais carnívoros. Alguns mesclam duas destas características: mamíferos ao nascer e depois ou herbívoros ou carnívoros. Se adultos são ao mesmo tempo herbívoros e carnívoros são denominados animais onívoros.

     

    O homem, entretanto, é mamífero, herbívoro e carnívoro a vida toda. Mas não mamífero do leite da mãe – prefere deixar minguar o bezerro e tomar o leite da vaca durante a vida. E come a vaca quando ela morre. E a vaca é herbívora. E ainda come aves, peixes e frutos do mar. E bebe além da água, refrigerantes, sucos de frutas e bebidas alcoólicas.

     

    Ou seja, a alimentação do ser humana é uma miscelânea descontrolada.

     

    Muitos seres humanos se comportam como se estivessem na ceva, tal qual porcos na engorda: comem desbragadamente, fazem o mínimo esforço físico possível, engordam horrorosamente e depois fazem lipoaspiração e cirurgias bariátricas e plásticas para disfarçar o tamanho.

     

    Ninguém quer ser gordo, mas têm idéias e hábitos gordos. Só pensam no que comeram, no que estão comendo e no que vão comer. Vivem exclusivamente para comer. Como se o mundo fosse acabar em fome.

     

    Uma coisa que acredito que engorda é caminhar bem cedo ou bem no finalzinho da tarde, e também tomar refrigerante ZERO, LIGHT ou DIET e usar adoçantes em geral no lugar do açúcar.

     

    É só reparar nas pessoas que caminham nas primeiras horas da manhã ou últimas da tarde: são todas gordas. Por isso acredito que essa atividade engorde.

     

    Também se ficar num bar observando quem pede aqueles tipos de refrigerante ou usa adoçantes: adivinhou, são todos gordos.

     

    Meu irmão Beto pretendia lançar um adoçante chamado Hipocrisil: próprio para acompanhar a caipirinha antes e/ou o café depois da feijoada.

     

    O cidadão come, repete três vezes, se entope de gorduras, e na hora do cafezinho pede o adoçante. Tem que ser o Hipocrisil mesmo, porque outro não faria efeito.

     

    E a humanidade vai engordando geometricamente. Quanto mais falam em fome na África, mais o restante do mundo engorda.

     

    Pare uma horinha aqui na praia na frente de minha casa, no verão ou fins de semana prolongados, quando há milhares de pessoas passando pelo calçadão e comece a contar quantos são os magros, os normais, os que têm sobrepeso, os obesos e os elefantes. É assustador.

     

    E a grande maioria caminha mastigando – de chiclete a pipoca, de picolé a churros.

     

    Isso porque já tomaram café da manhã, lanchinho na praia, almoço, lanchinho da tarde, jantaram e vieram passear. Comendo. Se ficam em casa estatelados diante de TV ficam... comendo!

     

    Sorte dos vendedores ambulantes de porcarias ingeríveis – vendem tudo.

     

    Se vão a uma pizzaria nunca comem a tradicional pizza muzzarela ou marguerita: é pizza de qualquer carne (lombo, lingüiça) com catupiry e gorgonzola. Ou a horrorosa portuguesa, aquela pizza que é uma massa coberta com arroz, feijão, bife, batata frita, macarronada, ovos cozidos e tudo o mais que sobrou na geladeira.

     

    A sobremesa tem que vir regada a leite condensado.

     

    Depois fazem cara de coitados e dizem que não sabem porque engordam...

     

     

     

     

     

     

     



    Escrito por Alice às 00h02
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    Dois anos sem Luciano Pavarotti

    Ma il mio mistero e chiuso in me,
    il nome mio nessun saprá!
    No, no, sulla tua bocca lo diró
    quando la luce splenderá!

    (Giacomo Puccini)

     

     

    Há dois anos calou-se uma das vozes mais bonita de todos os tempos.

     

    O que lhe foi negado em encanto físico, em beleza de traços, foi-lhe compensado na voz.

     

    Nos quatro cantos do mundo tornou-se um mito, um nome.

     

    Impossível escutar seu canto sem sentir uma forte emoção. E ao vê-lo cantar, aquele vozeirão saindo tão macio, tão fácil, o encantamento era inevitável.

     

    Trouxe a música erudita ao povo e ensinou-o a apreciar os clássicos.

     

    Levou a música popular aos eruditos e os ensinou a apreciar a arte do povo.

     

    Tudo que cantava encantava.

     

    Mas quando cantava árias em sua língua-mãe – o italiano – se superava ao transmitir sua emoção. Talvez tenha sido o maior e melhor intérprete de Verdi e Puccini.

     

    Nascido em lar modesto, em Modena, no ano de 1935 tornou-se um dos maiores tenores de todos os tempos, popularizando a ópera de forma inesperada.

     

    Imortalizado nas inúmeras gravações que deixou, jamais será esquecido.

     

    Mas, em 06 de setembro de 2007, calou-se para sempre. O mundo perdia Luciano Pavarotti.



    Escrito por Alice às 16h22
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    A (falta de) lógica de Sampa

    Alguma coisa acontece no meu coração, que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João (Caetano Veloso)

     

     

     

     

    Acabo de chegar de São Paulo. Estrada cheíssima. Duas horas de trânsito para chegar no Guarujá.

     

    A TV noticiou que ontem cerca de 1.300.000 veículos deixariam a Capital, rumo ao interior e litoral.

     

    Acho que erraram. Porque hoje cedo, sábado, São Paulo estava congestionada de tanto veículo. Ontem o engarrafamento começou cedo, com muita gente tentando sair e ganhar as estradas no final da tarde.

     

    Isso continuou noite afora e hoje cedo também.

     

    E à tarde, quando fui pegar a Imigrantes para voltar para casa, o trânsito estava insuportável.

     

    Descemos em meio a forte neblina e com um trânsito absurdo.

     

    Aqui na Baixada o trânsito se dilui, mas dá para notar que muita gente veio para o Guarujá. A garagem do prédio, de ordinário vazia, com 3 ou 4 veículos está totalmente lotada.

     

    Há bastante gente na praia (e o tempo está feio e meio frio) e bastante gente passeando no calçadão.

     

    A cidade se anima, se colore, é um agito só.

     

    Não sei como estão as cidades do interior. Mas o que sei é por mais gente que saia de São Paulo, lá continua cheio. É uma cidade que desafia qualquer lógica.

     

    As lojas cheias, os estacionamentos lotados, as ruas completamente tomadas por pessoas.

     

    Se saiu tanta gente de lá, se a cidade deveria estar quase vazia, quem - e de onde - eram aquelas pessoas?????????

     

     



    Escrito por Alice às 18h05
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    Bonito ou feio

    Por que prender a vida em conceitos e normas?  O Belo e o Feio... O Bom e o Mau... Dor e Prazer...
    Tudo, afinal, são formas E não degraus do Ser!

    (Mario Quintana)

     

     

     

     

     

     

     

    Será que a beleza existe sozinha, em termos absolutos, ou está nos olhos de quem a vê?

     

    Uma pessoa, ou um lugar, é bonito porque é bonito mesmo, ou depende de quem olha essa pessoa ou esse lugar?

     

    Talvez seja uma grande verdade a frase Quem ama o feio, bonito lhe parece.

     

    Algumas pessoas se acham lindas, e acabam passando essa imagem e todos a acham bonita também, e a olham com olhos de enxergar beleza.

     

    E o que é ser bonito? Preencher alguns requisitos básicos, ter traços regulares, altura razoável... ou apenas não ser terrível, ter traços medonhos...

     

    Ao longo dos tempos o conceito de beleza vem mudando, os termos de comparação sofrem modificações, já foi bonito ser gordo (sinal de prosperidade, de ausência de fome), hoje o modelo é extrema magreza, aparência anoréxica, de quem efetivamente passa fome.

     

    Os cabelos já foram naturais, encaracolados, e hoje o bonito é cabelo escorrido, esticado nem que seja a ferro e formol.

     

    Bonito hoje é ser eternamente jovem, não mostrar idade.

     

    Isso sem falar no desespero das cirurgias plásticas feitas em qualquer lugar, por profissionais que nem sempre dominam a técnica e os resultados são desastrosos.

     

    Hoje engordar é feio, envelhecer é feio...

     

    Não há dúvida que o tempo é uma verdadeira fábrica de monstros, porque a decadência física do ser humano no avançar da idade é deprimente.

     

    Mas faz parte da vida – ou vive pouco e morre jovem ou envelhece.

     

    E mesmo a velhice pode ter sua beleza, seu encanto, se for aceita com naturalidade.

     

    Também bonito hoje é não ter educação. Grosseria, estupidez, nada é feio.

     

    E falta de cultura também é bonito. Ignorância é bonito.

     

    Só que eu não estou gostando muito disso tudo, continuo achando feio o que é feio, independente do politicamente correto.

     

     

     

     



    Escrito por Alice às 21h30
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