De novo é Natal!
De novo é Natal - a cada 365 dias é Natal. Copio o que escrevi há um ano a propósito do Natal, porque continuo a mesma, pensando da mesma forma... Alice
06/12/08
Natal BATE O SINO PEQUENINO / SINO DE BELÉM / JÁ NASCEU O DEUS MENINO / PARA O NOSSO BEM
Vejo a cidade se vestindo para o Natal. Acho lindo. Adoro ver as luzes, os enfeites, o verde-e-vermelho que domina tudo, embora para nós não tenha tanta simbologia quanto para o povo de onde se originou. Mas, por outro lado, não gosto dessa época. Queria ir dormir dia 14 ou 15 de dezembro e só acordar lá pelo dia 06 de janeiro. Ou ser anestesiada ou ser abduzida nesse período. Só não queria enfrentar essa época todo ano, obrigatoriamente. Não sei o porquê, mas não gosto de Natal nem de Ano Novo. Vejo todo mundo sorridente, enfeitado, comendo, bebendo, brindando e me pergunto: tirando, é claro, as crianças, tem alguém feliz aqui? Por que todo mundo ficaria feliz, só porque é Natal? E o que o Natal tem a ver com alegria ou tristeza? É uma alegria compulsória, forçada, fingida. Eu sinto uma angústia indescritível, crescente, não vejo a hora de ir para o meu quarto, fechar a porta, apagar a luz e ficar só, e em silêncio, e sozinha comigo mesma, sem-ter-que-ser-feliz-porque-é-Natal. Há muito, muito tempo, um menino nasceu nesse dia (será que foi em 25 de dezembro mesmo? ou inventaram essa data? se inventaram, porque a puseram tão perto do reveillon? que falta de imaginação!) e com trinta e três anos foi condenado à morte e morreu na cruz, a morte mais indigna para a época. E isso mudou a história do mundo e dos homens, dividiu o tempo eterno em antes de depois de seu nascimento, e os homens nunca mais foram os mesmos. Nisso eu acredito. Ele andou entre nós, pisou o chão de Jerusalém (que emoção quando caminhei naquelas pedras que meu Deus pisou!) e outros solos da região, falou do amor, da paz, da misericórdia e caridade. E idéias tão simples, tão básicas, em seus lábios, por sua voz, se tornaram leis. E tudo o que Ele queria era que os homens se entendessem, que romanos - os poderosos da época - não humilhassem o restante do mundo e dos homens, que os pequeninos fossem respeitados, que as mulheres fossem amadas. Não dividiu os homens em raças nem credos. Tentou mostrar que todos são igualmente humanos, apesar de suas diferenças. Não tentou igualar os homens, mas quis que as diferenças naturais entre todos fossem respeitadas e não os dividissem. Que a alegria era possível e permanente, dependendo das escolhas de cada um. Até hoje poucas pessoas entenderam o que Cristo disse. E menos ainda seguem suas palavras. Mas só porque é Natal, todos saem com cara-de-feliz, abraçando, comendo, bebendo e brindando. Numa alegria tão falsa, mas tão falsa, que dura somente uma noite por ano, se durar tanto. Em lugar de cara-de-natal, gostaria que cada um, neste Natal, fizesse uma prece sincera, agradecendo os dons recebidos, os bens de que dispõe, e se propondo, com sinceridade, tentar ser um pouco melhor, para chegar mais perto do Deus nascido homem. Mirar em Cristo um exemplo a ser seguido, em suas palavras o guia para uma vida mais simples, mais sincera e mais dedicada aos irmãos. Aproveitar o Natal para orações, para gestos de gentileza e caridade - principalmente com os idosos - a começar os idosos da própria família - tantas vezes emocional e afetivamente abandonados, por falta de tempo e de vontade de manter um vínculo de amor com eles. E se quiser dar presentes, dê para seu Deus - custa tão barato o que O agrada: amor ao próximo, misericórdia e caridade, um coração humilde e uma vida dedicada ao bem. Nada mais. Mas, a você que perde tempo em ler este blog, de coração eu desejo um Feliz e Santo Natal, e que possa - não só neste ano, mas em todos os anos - em seu coração nascer e renascer o Deus Menino, com sua mensagem de paz, fraternidade e, principalmente de humanidade.
Escrito por Alice às 10h48
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A vida por si
Encore des fous qui passent... / Ils vont on ne sait où... Et nous suivrons leurs traces / S’ils sont plus fous que nous (Maurice Maeterlinck) Gosto do anonimato. De ser apenas um número ou mais uma pessoa dentre as tantas que passam por aí. O que sempre me atraiu muito a viver em Sampa foi exatamente não ser ninguém lá: onde os ricos são riquíssimos, os pobres paupérrimos, os bonitos lindíssimos e os feios pavorosos. E eu não me enquadro em nenhuma dessas categorias, sou mediana em tudo. Aqui no Guarujá também há o anonimato total. Milhares de habitantes e muito mais de turistas. Você aqui não é ninguém. Na praia então, todos se igualam, cada um some como pessoa e dá corpo a uma massa indistinta. E então leio sobre o suicídio de Leila Lopes, atriz que pouco vi, mas considerava uma moça muito bonita. Na minha opinião ela não conseguiu administrar o fim prematuro da carreira e da fama. Na linguagem mais popular, não conseguiu descer de rei para capitão. O que realmente não deve ser fácil. Mas aí vêm as perguntas: a fama é mais que a vida? o status é mais que a vida? Em termos concretos, o que é status? o que é fama? Qual a real importância de ser reconhecido em ruas e praças, em chamar atenção em todo lugar? Em que melhora sua vida ser considerado locomotiva, se todos os vagões vão juntos para o mesmo local? Não consigo entender o que move essas pessoas. Será que é tão ruim viver e eu que não percebo isso e continuo tal qual uma poliana ou uma avestruz, achando tudo bom e que a vida vale a pena de ser vivida, dando as costas para os problemas reais que não consigo enfrentar? Ou venho enfrentando todos meus problemas, matando um leão por dia para sobreviver e essa luta me mostra o outro lado da moeda, que a vida é, sim, maravilhosa? Complicado viver. Mas sinceramente, acho que morrer não é a solução.
Escrito por Alice às 21h57
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Reformas & mudanças
Tanto tempo sem vir aqui ... Tão sem tempo para vir. Comandei uma reforma em um imóvel, era o dia todo lá na obra. E a noite para trabalhar. Que tempo sobrava para o blog, para os amigos? Das três às seis e meia da manhã. Mas eu preferia aproveitar para dormir um pouco. Três meses sem praia, sem passeio, nada, só serviço e aborrecimento. Mas terminou. (Quase). E nos mudamos. Aí começaram outros problemas, já esperados, um registro vazando, o marceneiro em plena atividade terminando os móveis e armários... A bagunça invencível. Os objetos que insistem em não aparecer... E então chegou a hora de transferir a net – telefone, TV e Internet. E vêm dois sujeitos, pleno sábado por volta de quatro da tarde. Não conseguem passar o cabo para instalar a TV. Fico sem TV. Até hoje. Tenho duas linhas de telefone e eles só instalam uma. (Tanto fucei que consegui instalar a outra esta tarde). Conseguem – milagrosamente – acertar a instalação da Internet. Mas a sujeira que fizeram foi terrível. Sujaram tanto as paredes que chamei o pintor de volta e ele tornou a pintar as paredes dos locais onde os dois passaram. Fiquei tão transtornada com a sujeira dos dois elementos que não tive dúvidas: liguei na Net, fiz uma reclamação e disse à atendente que não sabia que a Net estava recrutando funcionários em chiqueiros. A risada da atendente valeu...
Escrito por Alice às 21h04
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Sem medo de ser bonita
Ambição é querer ter. Ganância é querer ter tudo ou mais do que os outros têm. Inveja é não querer que os outros tenham. Hoje abordo o caso da aluna da Uniban. Chocada com o comportamento dos universitários. Não vou tecer críticas nem comentar seu vestido, o cumprimento da saia ou aparência das pernas. Cada um tem o direito de se vestir como se sente bem, e nada havia de chocante na aparência da garota. De um lado a moça: estudante do período noturno, antes de ir a uma festa precisava ir à faculdade. Fato corriqueiro, que já aconteceu com muitos estudantes. Até aí, nada de mais. A diferença é que ela se arrumou – muito, até demais – e apareceu na faculdade com uma estampa inusual para a falta de feminilidade que impera nesses ambientes. Por medo de serem apontadas como vagabundas, que tentam sucesso neste mundo masculino apelando à beleza física ou aparência diferenciada, muitas moças optam por se vestir de forma masculinizada, escondendo toda a carga feminina de sua condição de mulher, não usando qualquer maquiagem, não mostrando vaidade. Cada um tem sua opção de vida, devemos respeitar. Mas cientes que beleza, capacidade e inteligência podem coexistir em uma mesma mulher, como o oposto também pode ocorrer. Assim, Geyse apareceu na faculdade toda produzida, visando o programa com o namorado depois das aulas. Mas não foi vista desta maneira ingênua por colegas – homens e mulheres. De outro lado os universitários: desacostumados de verem a passagem de figura sensual e feminina, sentiram-se invadidos. E reagiram. Por medo. E inveja. Medo de seus instintos – bestiais e primitivos. Medo de conviverem com uma mulher que se assume como tal, e não teme se mostrar, arrumada, bonita, exalando sensualidade e segurança. Medo de sua própria aparência, tão banal, sem atrativos, sem graça, e então fortemente ameaçadas pela colega que ousou sair da mediocridade e se mostrar mulher. E inveja. Esse sentimento – mencionado desde a Bíblia – que tal qual erva daninha domina a maioria das pessoas. Sentimento mais dos mais baixos e destrutivos. Inveja de quem não tem medo de ser feliz. Inveja de quem mostra seus dotes impunemente. Inveja de uma mulher que tem a coragem – ousadia suprema – de mostrar sua feminilidade num mundo dominado pelo feminismo e pela masculinização.
Inveja de uma mulher segura da própria aparência. Misturados o medo de alguns e a inveja de muitas, o resultado explosivo – e lamentável – foi a agressão verbal e tentativa de agressão física e sexual sofrida pela aluna. E o pior é que tudo se deu em uma universidade. Onde a cabeça de todos deveria estar aberta às diferenças, positivas ou negativas. Onde a mulher deve ser vista de igual para igual - sem ter que se esconder em aparência masculina ou ausência de atrativos; mas, linda ou feia, estar ombro a ombro com os colegas homens. O ambiente universitário sempre foi o território livre, a vanguarda do pensamento filosófico, existencial e antropológico. Hoje vi que foi reduzido a um mundinho mesquinho, capaz de agredir uma mulher somente porque estava bem arrumada. Esses estudantes, em tese, representam o futuro do país, o futuro do pensamento do país. Triste, muito triste. Demonstraram que não têm a menor condição de serem considerados universitários (a universidade para todos fatalmente desembocaria nesse esgoto).
A violência desencadeada foi assustadora. Esses mesmos estudantes que se arvoram em censores da moralidade praticam trotes com violência física, psicológica e sexual contra calouros indefesos.
Ou seja, quando estão em turma são valentes.
Isso tem sido um problema na sociedade. As pessoas se ajuntam para adquirir coragem e vulnerar os solitários e/ou indefesos. Grande coragem. O futuro do país está nas mãos desses despreparados, sem cultura, desconhecedores da história, das tragédias causadas por absolutistas e preconceituosos. E, pelo andar da carruagem, logo as mulheres estarão proibidas de frequentar universidade e de sair às ruas sem a burca.
Escrito por Alice às 08h49
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Momento poesia
O GRITO Se ao menos esta dor servisse se ela batesse nas paredes abrisse portas falasse se ela cantasse e despenteasse os cabelos se ao menos esta dor se visse se ela saltasse fora da garganta como um grito caísse da janela fizesse barulho morresse se a dor fosse um pedaço de pão duro que a gente pudesse engolir com força depois cuspir a saliva fora sujar a rua os carros o espaço o outro esse outro escuro que passa indiferente e que não sofre tem o direito de não sofrer se a dor fosse só a carne do dedo que se esfrega na parede de pedra para doer doer doer visível doer penalizante doer com lágrimas
se ao menos esta dor sangrasse (Renata Palotini em A Faca e a Pedra, 1965)
Escrito por Alice às 23h42
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Cotidiano
Je me sens libre comme une bulle de champagne / Libre d'escalader les montagnes Moi j'ai mon visa pour les folies / J'ai mon passeport couleur de la vie (Visa pour les beaux jours, Eddy Marnay) Amanhece. As cortinas filtram uma luz tênue que avisa o final da noite. Acordo. O corpo diz NÃO!, a razão responde É hora! Se pudesse dormir mais meia horinha... mas é preciso levantar. O dia começa e o chuveiro tira as últimas lembranças da noite. Aí tudo engrena e a vontade de dormir fica esquecida por muitas horas. Às vezes dou uma paradinha para pensar na vida e acho que todos os dias se arrastam iguais, é trabalho, trabalho, cansaço, vontade de tanta coisa que ficou para trás, saudade de tantas pessoas que ficaram por aí... a vida é só trabalhar e pagar contas. Mas fica muito chato viver se pensar assim. Então busco inspiração para ver o que tem de diferente nos dias: quando a brisa se torna vento, e o vento tempestade. Olho se o mar está verde (sol!) ou cinza (lá vem chuva). Preciso sair para comprar qualquer coisinha mais insignificante (por exemplo, material de limpeza). Mas aí dou o up grade do dia: me arrumo, saio, atravesso a avenida e vou pelo calçadão da praia até o mais perto possível do meu ponto de chegada, sentindo a beleza do mar, vendo as pessoas caminhando, outras aproveitando a praia durante a semana – que inveja - (só pode ser turista, não dá para ir à praia todo dia e trabalhar)... Na volta aproveito para uma casquinha de sorvete, e pronto: já dei um agradável passeio inesperado – o dia já foi diferente... Uma obrigação se transformou num prazer. Tantas coisinhas simples podem ser feitas para enfeitar o dia... na pausa do almoço ouço – de novo – TUA, cd da Maria Bethânia, maravilhoso, repertório especial, voz inigualável... e outras cores entram no meu mundo. Tédio? Nunca, que isso é coisa de quem não tem o que fazer. (ainda não comentei o caso da Geyse, aluna da Uniban, que mais parecia talibã, mas está na pauta, o tempo anda meio curto...)
Escrito por Alice às 05h56
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Mortes anunciadas
O próprio viver é morrer, porque não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela. (Fernando Pessoa) Há matéria, na Folha de hoje, sobre o suicídio. Além do choque para as pessoas que convivem com o suicida e ficam estarrecidas com aquela morte, ainda há o invencível e inevitável sentimento de ter falhado. Falhado porque não percebeu o desespero daquela alma, falhado por não ter tirado a cortina negra que escurecia os pensamentos do suicida, falhado por não ter evitado o gesto. Mas ninguém poderia evitar o suicídio em si. Depois que a decisão de morrer é tomada, dificilmente alguém poderá evitar esse ato. Talvez se possa ajudar a evitar a idéia, antes que ela surja ou logo que isso aconteça. Mas não é fácel entrar na alma de alguém e saber o que pensa na verdade outra pessoa. Convivi com alguns suicidas, chorei suas mortes e sei que ninguém tem culpa do ocorrido. Mas é difícil, muito difícil, conviver com a sensação que poderíamos ter feito alguma coisa e nada fizemos. Inevitável sentirmo-nos assim. E o que é o suicídio? Um gesto de coragem ou covardia? Um gesto de desespero ou esperança em algo melhor? Alguns casos podem-se entender, pessoas que estão acometidas de moléstias terríveis, sem qualquer chance ou esperança de cura, sofrendo no corpo as dificuldades da doença e na alma a falta de motivo para continuar vivo... até se entende, embora a religião nos ensine que a morte pertence ao Pai e somente ele poderá tirar-nos a vida. Mas outros casos, a jovem que perdeu o ano na faculdade, a mulher madura e centrada que se aposentou e não mais se sentiu viva, o amigo que se viu envolvido em um processo judicial quase kafkaniano... E assim eles foram ficando pelo caminho, enquanto outros enfrentaram as mesmas situações – doenças, velhice, processos, divórcios, perdas de filhos e continuaram vivos dando testemunho de uma fé inabalável na vida e no sentimento que não há caminho predeterminado, que fazemos nosso caminho ao caminhar. Quando penso nesses assuntos lembro-me de palavras do Padre Zé Mário (quanta saudade desde que ele foi pastorear em outros países e quase não vem ao Brasil): Deus deu a vida – e não a morte – ao homem. Então devemos cuidar da nossa vida com muito carinho e desvelo, porque teremos que prestar contas deste dom ao Criador. Mas Deus guardou para si a morte, não a deu ao homem. Por isso devemos viver sem pensar na morte, sabendo que é inevitável e virá para todos, mas não é problema nosso. Na hora certa Deus cuidará de tudo. Não devemos ignorar que a morte existe, mas não devemos buscá-la nem desejá-la. E assim Padre Zé Mário me deu uma lição para toda a vida, mas que torna difícil entender a razão dos suicidas.
Escrito por Alice às 10h13
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A guerra e o Nobel da Paz
Aqueles que tombam pela Pátria não morrem, mas se fundem a ela eternamente. (General Osório)

Olho essa imagem – tristíssima - dos soldados trazendo o corpo do colega morto. Vejo em outra foto de hoje a imagem do presidente norte-americano diante do cortejo do retorno de outros soldados mortos nessa guerra insana. E penso porque o presidente dos EUA acaba de ganhar o Prêmio Nobel da Paz mesmo estando em guerra com dois países. Não entendo se o prêmio foi desmoralizado ou se é a própria guerra que está desmoralizada. Matar está tão banal, declarar guerra é tão comum, que não impede o Nobel da Paz ao presidente de uma nação em guerra... Recordo o filme O Retorno de um Herói.
O drama de um oficial que, pela culpa de não ter ido para a frente de batalha, resolve se penitenciar acompanhando o corpo de um jovem soldado que morreu na longíqua guerra, do momento que o exército o prepara até ser finalmente entregue à própria família para ser enterrado. Filme de rara poesia, impossível não se envolver e sofrer também. O respeito com que o corpo é tratado pelos encarregados de prepará-lo. A forma como é carregado para os veículos, as cerimônias de passagem – tudo tocante, emocionante. E finalmente a dor da família ao receber morto o filho que emprestaram – vivo – à pátria. Para que? Para ir lutar numa guerra que não era dele, talvez nem soubesse direito para onde e para que estava indo. E não voltou. Ou melhor, voltou, mas seus olhos nada viram. Não viu o carinho com que seu corpo foi manipulado, a emoção que tomou conta de todos os compatriotas que em algum momento estiveram junto na sua última viagem, o drama do oficial que o acompanhou nem os olhos vazios de sua mãe ao receber o caixão. Vem como um presente – um filho – o corpo de um filho – em uma grande caixa, com bandeira nacional, toque de silêncio, cortejo militar. Mas é um presente às avessas, porque, na verdade, nada está sendo dado – nem mesmo estão devolvendo o filho emprestado, mas sim enterrando o sonho de uma vida.
Até quando, me pergunto, até quando os homens continuarão a declarar guerra para mandar os filhos alheios morrerem. O homem nao evoluiu tanto quanto pensa. Apenas mudou as armas: não joga mais pedras, nao usa mais clavas, mas poderosas e mortíferas armas desenvolvidas por cientistas. E hoje a guerra é mostrada em tempo real via TV para o mundo todo ao vivo e em cores. Entra em nossa casa, faz parte do espetáculo televisivo. Mas, no íntimo, no cérebro, realmente, o homem ainda está na idade da pedra - a prova é esse Prêmio Nobel da Paz para quem está em guerra...
Escrito por Alice às 23h33
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Ainda tomaremos um café...
Hoje é DOMINGO!!!!!!!!!! dia de praia, preguiça, e mesmo assim tenho que terminar um serviço longo... então não crio nem pio: copio! Recebi de meu sobrinho Eduardo, achei interessante e passo a você, com o convite: venha tomar um café comigo...
O QUE REALMENTE IMPORTA NA VIDA
Um professor universitário, diante de sua classe de filosofia, sem dizer uma só palavra pegou um pote de vidro, grande e vazio, e começou a enchê-lo com bolas de golf.
Em seguida, perguntou aos seus alunos se o frasco estava cheio e imedia-tamente, todos disseram que sim. O professor então, pegou uma caixa de bolas de gude e a esvaziou dentro do pote. As bolas de gude encheram todos os vazios entre as bolas de golf.
O professor voltou a perguntar se o frasco estava cheio e voltou a ouvir de seus alunos que sim. "Quero que entendam que o pote de vidro representa nossas vidas. As bolas de golf são os elementos mais importantes, como Deus, a família e os ami- gos. São com as quais nossas vidas estariam cheias e repletas de felicidade. As bolas de gude são as outras coisas que importam: o trabalho, a casa bonita, o carro novo, etc. A areia representa todos as pequenas coisas. Mas se tivés-semos colocado a areia em primeiro lugar no frasco, não haveria espaço para as bolas de golf e para as de gude.
O mesmo ocorre em nossas vidas. Se gastamos todo nosso tempo e energia com as pequenas coisas nunca teremos lugar para as coisas realmente impor-tantes. Prestem atenção nas coisas que são primordiais para a sua felicidade. Brinquem com seus filhos, saiam para se divertir com a família e com os ami- gos, dediquem um pouco de tempo a vocês mesmos, busquem a Deus e creiam nele, busquem o conhecimento, estudem, pratiquem seu esporte favorito... Sempre haverá tempo para as outras coisas, mas ocupem-se das bolas de golf em primeiro lugar. O resto é apenas areia."
O professor respondeu: " que bom que me fizestes esta pergunta, pois o café serve apenas para demonstrar que não importa quão ocupada esteja nossa vida, sempre haverá lugar para tomar um café com um amigo."
Um aluno se levantou e perguntou o que representava o café. Em seguida, pegou uma caixa de areia e a esvaziou dentro do pote. A areia preencheu os espaços vazios que ainda restavam e ele perguntou novamente aos alunos, que responderam que o pote agora estava cheio.
O professor pegou um copo de café (líquido) e o derramou sobre o pote ume-decendo a areia.
Os estudantes riam da situação, quando o professor falou:
"Quero que entendam que o pote de vidro representa nossas vidas. As bolas de golf são os elementos mais importantes, como Deus, a família e os amigos. São com as quais nossas vidas estariam cheias e repletas de felicidade. As bolas de gude são as outras coisas que importam: o trabalho, a casa bonita, o carro novo, etc. A areia representa todos as pequenas coisas. Mas se tivéssemos colocado a areia em primeiro lugar no frasco, não haveria espaço para as bolas de golf e para as de gude. O mesmo ocorre em nossas vidas. Se gastamos todo nosso tempo e energia com as pequenas coisas nunca teremos lugar para as coisas realmente importantes. Prestem atenção nas coisas que são primordiais para a sua felicidade. Brinquem com seus filhos, saiam para se divertir com a família e com os amigos, dediquem um pouco de tempo a vocês mesmos, busquem a Deus e creiam nele, busquem o conhecimento, estudem, pratiquem seu esporte favorito, ......... Sempre haverá tempo para as outras coisas, mas ocupem-se das bolas de golf em primeiro lugar. O resto é apenas areia." Um aluno se levantou e perguntou o que representava o café.
O professor respondeu: " que bom que me fizestes esta pergunta, pois o café serve apenas para demonstrar que não importa quão ocupada esteja nossa vida, sempre haverá lugar para tomar um café com um amigo." 
Escrito por Alice às 14h41
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Vou sorrindo
Nós não sorrimos porque somos felizes, nós somos felizes porque sorrimos. (William James) Posso estar enganada, mas acredito que só o ser humano ri. Nenhum outro animal tem esse recurso. Há pessoas que riem sempre, e outras que nunca riem nem sorriem. Alguns só riem quando estão nervosos, aquele risinho entre o pavor e o sarcasmo, geralmente irritante. Quando o bebê começa a reconhecer as pessoas e ambientes e consegue sorrir (não aquele esgar que só a mãe e a avó acreditam que seja um sorriso) mostra o quanto é instintivo sorrir para o ser humano. E também que não há qualquer dúvida que o riso vem diretamente do prazer. Na hora da dor, do desespero, na triste hora do adeus é impossível rir ou sorrir. Mas só. Nas demais horas o riso é essencial. Se formos capazes de darmos uma boa risada nas horas de aflição e aborrecimento, acho que a vida seria bem mais leve. Eu, por exemplo, vivo rindo. Vejo sempre um lado engraçado nas pessoas, nas coisas, nos acontecimentos, tento olhar com olhos de sorriso para tudo. Acho que vou morrer rindo. Nem que seja de mim própria. Por exemplo – você está com muita pressa, atrasado, e derrama um copinho de café na camisa. Em lugar de xingar, praguejar, experimente dar uma risada de sua própria ação e verá que basta trocar de camisa e seguir – dois ou três minutos não são a diferença – você já estava atrasado mesmo. Ou numa briga – por qualquer motivo, besta ou não, começa uma discussão com a mulher, ou o marido, ou o irmão etc. Na hora de respirar, quando tiver que se calar por um momento para não morrer de falta de ar, aproveite e dê um sorriso. Aberto, sincero, acolhedor, sem ironia. Verá que o outro responderá com um sorriso. E ambos pensarão: para que discutir, podemos resolver isso calmamente através de uma conversa adulta. Se você cai ou chuta – descalço – o pé da cama. Não grite nem fique sob tensão – solte os músculos – primeiro da face, com uma boa risada. E o corpo ficará leve, nem sentirá dor. Mas tem que rir de verdade. E, principalmente, quando tiver mais pessoas em volta, tente rir, sinceramente, do que os outros falam, integre-se na alegria e a promova, e num instante todos estarão rindo também. Mais importante, ainda, é aprender a rir de si mesmo. Se você for capaz de rir de si mesmo, em toda e qualquer situação, rindo escancarado ou só por dentro, será uma pessoa feliz, porque o que todo mundo gosta mesmo é de ver os outros travados, emburrados, sofrendo. Nada mais incomoda a maioria das pessoas do que ver alguém leve, sorridente, de bem com a vida. Sorri quando a dor te torturar E a saudade atormentar Os teus dias tristonhos vazios
Sorri quando tudo terminar Quando nada mais restar Do teu sonho encantador
Sorri quando o sol perder a luz E sentires uma cruz Nos teus ombros cansados doridos
Sorri vai mentindo a sua dor E ao notar que tu sorris Todo mundo irá supor Que és feliz. (Charles Chaplin)
Escrito por Alice às 19h03
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Brindando comigo
Atingimos hoje 2.000 visitas - obrigada a todos, vamos fazer um brinde, et voilà: 
saúde 
prosit
salud proost cin cin skäl santé
Escrito por Alice às 19h27
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De homens e serpentes
Então o Senhor Deus disse à serpente: “Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais e feras dos campos: - andarás de rastos sobre o teu ventre e comerás o pó todos os dias de tua vida. Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá na cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”. (Livro do Gênesis, 2.3 – 14)

A humanidade está se embestando de uma forma que não terá volta. Não consegue estabelecer relação com outro ser então se envolve com animais, que não questionam suas manias, suas idiotices, não exigem troca, contentam-se em dar. Começou pelos cachorros, e (quase) todo mundo tem um cachorro. Eram cachorrinhos, mas hoje nos apartamentos já temos pit bull, labrador e outros cães de grande porte. Pobres animais, aos quais é negada sua própria natureza: viver livre, pisar e dormir sobre a terra, dormir durante o dia e permanecer alerta durante a noite. Também já vemos casos de câncer de pulmão em cães em razão do cigarro dos donos. Câncer de fígado pela comida gordurosa e assim por diante... Conheço uma mulher que carrega seu cãozinho para todo lado, no colo. Quando nasceu o primeiro bebê ela continuou carregando ridiculamente seu cão enquanto a babá seguia com o nenê... Devia ter parido um cachorrinho, talvez se sentisse mais mãe. E iguanas, que ao crescerem mais que o previsto começaram a ser soltas nas cidades, comenta-se que nas imediações de Alphaville há muitas iguanas nas beiras do rio Parnaíba, soltas por seus donos que se cansaram dos bichinhos (algumas são uns bichões, crescem assustadoramente e aquela “coisa” nas costas dá-lhes um ar de pré-históricas). Os ratinhos brancos, que, no fundo não passam de ratos mesmo... E, dentre outros bichos, o homem – este animal indigno – passou a criar serpentes em suas residências. A incompatibilidade entre o homem e a serpente é bíblica, faz parte da maldição do ser humano. E na hora que as cobras se tornam incômodas, simplesmente as soltam... http://noticias.uol.com.br/bbc/):
Impressionante a notícia 'Invasão' de cobras gigantes ameaça fauna dos EUA, diz instituto (conferir no endereço
O instituto geológico americano US Geological Survey (USGS) está alertando para uma "invasão" de cobras gigantes que ameaça a fauna nativa do país. Um relatório do USGS divulgado esta semana afirma que algumas regiões americanas - como o sul da Flórida - estão sendo invadidas por dezenas de milhares de pítons não nativas, que são uma séria ameaça à fauna americana. O documento de 300 páginas afirma que nove espécies de cobras são a principal ameaça à região. Segundo os cientistas, os pássaros, mamíferos e répteis dos Everglades - a região pantanosa da Flórida - nunca tiveram de enfrentar predadores tão grandes antes. Algumas delas têm seis metros de comprimento e pesam até 90 quilos. ......................................... As espécies píton burmesa e jibóia constritora já povoaram parte do sul da Flórida. A jibóia africana também estaria formando uma grande população na região. Especialistas afirmam que muitas das cobras gigantes não-nativas foram jogadas na região dos Everglades pelos próprios donos dos animais, que às criavam como animais de estimação. Algumas foram jogadas porque ficaram grandes demais para serem criadas pelos donos. Outras teriam escapado das suas jaulas durante o furacão Andrew, de 1992. Os pântanos úmidos do Everglades são ideais para a proliferação de cobras grandes, que podem colocar até 100 ovos de uma só vez. .............................................
O relatório diz que as cobras, além de perigosas para os demais animais, são uma ameaça também para as pessoas, apesar de ressaltar que isso é mais raro. A maior parte das vítimas das cobras são pessoas que criam os animais em casa.
Além da Flórida, outros ecossistemas em outros Estados americanos, como o Texas, também estariam sob ameaça. Já houve casos de estas serpentes dos Everglades matarem uma criança e um animal doméstico. Não há dúvida, portanto, do quanto o homem vem se abestalhando ao longo da história.
Escrito por Alice às 14h37
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El tiempo pasa
Com as lágrimas do tempo e a cal do meu dia eu fiz o cimento da minha poesia. (Vinicius de Moraes)
Conforme o tempo passa nossas vontades, nossos gostos vão se alterando. Coisas importantes, cuja falta seria fatal, já não importam. Pessoas sem as quais não viveríamos se desfazem na fumaça do esquecimento. Outras prioridades vêm e tomam conta do pensamento, do desejo e da necessidade. Acho que isso é amadurecimento – ou envelhecer mesmo. Por exemplo, coca-cola. Fazia parte da dieta, da rotina, de tudo. Agora passo meses sem um copo de coca-cola e descobri que não morri por isso, embora imaginasse, antigamente, que não sobreviveria sem ela. Outra coisa é viajar. Sempre adorei viajar. Sempre estive pronta para pegar a mala (malinha, que não gosto de carregar a casa quando saio) e ir. Ia para todo lado. Sozinha, acompanhada, com todo mundo, com alguém... Mas ia. Pegava o carro e cortava estrada para qualquer lado que me atraísse. Era um prazer dirigir, viajar sozinha. Hoje pago para não chegar perto de um volante (confesso que metade do problema são esses indecentes motoqueiros – cabriteiros, porque aquelas maquininhas estão mais para cabritas do que para motos). Se posso vou de táxi em todo lugar só para não tirar o carro da garagem. Dirigir hoje em sampa para mim é castigo. Também avião. Avião era sapato, usava para me deslocar sem qualquer problema. Agora estou acomodada – ou preguiçosa... Só de pensar em aeroporto me dá arrepio. Tenho uma vontade etérea de ir a Paris. Um desejo constante de estar lá. Mas não tenho a menor vontade de ir até Paris. Não consigo mais me imaginar dando plantão no aeroporto, enfrentando a falta de educação da maioria das pessoas no interior do avião. A neura dos policiais aeroportuários, a esteira da bagagem. Iria, feliz, se pudesse ser teletransportada. Será que isso é envelhecer?
Escrito por Alice às 08h14
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Promenade
Hoje o tempo está curto - então não escrevo - partilho uma linda paisagem que convida a um passeio...

Escrito por Alice às 11h23
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Uma simples coisa
Que l’importance soit dans ton regard, non dans la chose regardée. (André Gide) Na alucinante correria de todas as manhãs não teve tempo para verificar porque se sentia tão estranha. Levantou-se num salto, trocou-se sem tempo de se olhar no espelho, arrumou a mesa correndo enquanto pilotava o fogão preparando a preferência de cada membro da família. Não que alguém fosse perceber tudo isso, mas se algo faltasse seria notado de imediato. Enquanto tudo funcionava como sempre foi e como achava que sempre devia ser, ninguém a notava nem a incomodava também.
Realmente só era notada pelo não fazer, pelo mal funcionamento, nunca pelo fazer, pelo proporcionar à família. Só se dirigiam a ela para cobrar: - cadê minha bolsa / meus óculos / minhas chaves? ou - você NÃO comprou meus cereais / NÃO lavou meu tênis / NÃO passou minha camisa?... Fora, ela própria, de há muito coisificada no relacionamento familiar, mas já não se importava, doera intenso, mas hoje pouco incomodava. Mas nessa manhã, em especial, continuava a se sentir de forma estranha. Era como se ninguém a enxergasse. Tentou ir até a janela. Não conseguiu sair do lugar. Estava presa ao batente. Duas ou três dobradiças a prendiam. O Filho tentou passar e se sentiu ameaçado por sua posição, violentamente empurrou-a com o pé. - o que foi, perguntou o Pai. - essa droga dessa porta que nem abre nem fecha, fica no meio do meu caminho, até parece minha mãe..., respondeu o Filho. - acerte-lhe um bom chute que ela logo encontra seu lugar, disse o Pai. Quis chorar, mas não conseguiu, ao descobrir que amanhecera transformada em uma porta, porque portas abrem e fecham, não choram...
Escrito por Alice às 22h39
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